Procuradores se revoltam com erotismo, defendem Escola sem Partido e armam estratégias em convenção



Procuradores e promotores acordaram cedo nesta quinta-feira, em Brasília, para discutir pornografia, sexo oral, orgias, p… e b…. Os termos não foram recebidos com prazer, porém, e sim com espanto: as palavras representavam parte conteúdo que seria exposto a crianças e adolescentes, segundo um dos palestrantes.O motivo da reunião era a primeira edição do Congresso Nacional do MP Pró-Sociedade, ideia que nasceu ainda neste ano entre ativistas conservadores brasilienses da corporação. Entre os cerca de 40 presentes estavam Na plateia de cerca a deputada eleita Bia Kicis (PRP-DF), ex-procuradora, e o advogado Miguel Nagib, fundador do movimento Escola sem Partido.Em dado momento, procurador Guilherme Schelb, que chegou a ser cotado para a pasta da Educação do governo de Jair Bolsonaro, assumiu o microfone. Ele subiu ao palco para ministrar sua palestra intitulada “Pornografia infantil X arte. Manifestação cultural ou crime?”. A ativista Kicis usava pequeno um tripé no celular para transmitir a palestra em rede social. Sorridente e articulado, Schelb não economizou nas ilustrações de seus pontos. Discursou na frente de uma imagem de um homem com ejaculação sobre seu rosto e, depois, exibiu um pênis ereto para a plateia. As duas cenas foram expostas a crianças, disse , sem explicar como, nem onde teriam sido mostradas. (Questionado, o procurador disse que são imagens da exposição “Queermuseu”). Depois, Schelb passou um vídeo com uma cena de sexo oral e pediu para algum dos presentes subisse ao palco e lesse um trecho de um livro organizado por Ana Maria Machado, autora conhecida por seus trabalhos para o público infantojuvenil. Disse que, sendo o texto pornográfico, tinha vergonha de lê-lo em voz alta. Uma procuradora aceitou o desafio e pegou o microfone.”Estão me devendo xarope, meia, cinema, filé mignon e buceta, anda logo. Dei-lhe um murro na cabeça. Ela caiu na cama, uma marca vermelha na cara. Não tiro. Arranquei a camisola, a calcinha. Ela estava sem sutiã. Abri-lhe as pernas. Coloquei os meus joelhos sobre as suas coxas. Ela tinha uma pentelheira basta e negra. Ficou quieta, com olhos fechados. Entrar naquela floresta escura não foi fácil, a buceta era apertada e seca. Curvei-me, abri a vagina e cuspi lá dentro, grossas cusparadas. Mesmo assim não foi fácil, sentia o meu pau esfolando. Deu um gemido quando enfiei o cacete com toda força até o fim. Enquanto enfiava e tirava o pau eu lambia os peitos dela, a orelha, o pescoço, passava o dedo de leve no seu cu, alisava sua bunda. Meu pau começou a ficar lubrificado pelos sucos da sua vagina, agora morna e viscosa.”Durante a leitura, procuradores ficaram chocados e se queixavam. “Já dá pra parar”, se ouvia. Alguns perguntaram o nome do livro. Era o “Leituras de Escritor”, uma antologia de textos com nomes como Mário de Andrade, Virginia Woolf e Julio Cortázar. O nome da escola? “Poderia estar em qualquer lista recomendada pelo MEC”, argumentou. Para os presentes, ficou no ar que a autora seria Machado, mas na verdade o trecho é do conto “O Cobrador”, escrito por Rubem Fonseca, que retrata a mente de um psicopata. Procurada, Machado disse que a coletânea é para adultos.”Esse livro é como iogurte, tem um prazo de validade. Nós vamos mudar as diretrizes de livros didáticos nas escolas”, afirmou Schelb, frisando que o trabalho de Bia Kicis seria essencial. Ativistas de direita lutam para interferir na curadoria do PNLD (Programa Nacional do Livro Didático), que é responsável por decidir quais são títulos para o próximo triênio escolar.Depois, o procurador exibiu uma reportagem sobre uma escola localizada em Contagem (MG), em que crianças de 10 a 12 anos receberam uma lição de casa com a pergunta “O que é sexo oral?”. Schelb também fez uma exposição sobre Herbert Marcuse, filósofo e sociólogo alemão associado à Escola de Frankfurt. promotores”Vem de Marcuse a ideia de qualificar todo mundo que pensa diferente como fascista. Ele disse que é preciso respeitar a opinião de todos, exceto dos fascistas”, disse. A ideia citada por Schelb está no ensaio “Tolerância Repressiva”, publicado originalmente em 1965.O procurador falou, ainda, de como o direito pode ser uma ferramenta para ganhar a guerra cultural contra os esquerdistas. Ele frisou o crime de importunação sexual, em que pode se enquadrar, segundo ele, a exposição de atos obscenos a crianças e adultos em momentos indesejados. Schelb argumentouque é importante que as professoras usem jalecos em sala de aula para não exibirem os peitos para os alunos, o que distrairia os meninos, e que criminalizar a homofobia pode ser como “aplicar uma vacina de febre amarela onde não existe registro da doença há 20 anos”.Schelb instruiu, também, a incentivar alunos a gravar aulas de professores que façam “doutrinação politica” ou exponham crianças a sexualidade. Segundo ele, o objetivo é entrar com ações por danos morais baseadas nessas gravações”Tudo é dano moral”, brincou. “O promotor pode arquivar a representação (penal), mas a ação por danos morais continua.””Esse evento é importante para lembrar à sociedade que o Ministério Público está atento aos direitos das vítimas, não só dos réus”, afirmou o organizador, Renato Barão Varalda, promotor do Ministério Público do Distrito Federal. “Os direitos humanos também são para as vítimas, e temos que reafirmar isso sempre.” Entre os promotores e procuradores,o clima era de otimismo com o futuro governo, com esperança de que os futuros ministros serão aliados da causa conservadora nas escolas.
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