Procurador de Istambul pede prisão de aliados do príncipe herdeiro saudita por morte de Khashoggi


ANCARA — O procurador-geral de Istambul emitiu mandados de prisão contra um importante assessor do príncipe herdeiro da Arábia Saudita e o vice-chefe de inteligência externa do reino. Os dois são suspeitos de planejarem o assassinato do jornalista Jamal Khashoggi, no consulado de Riad na cidade turca, informaram autoridades nesta quarta-feira. A inteligência dos Estados Unidos aponta Mohammed Bin Salman, o governante de fato saudita, como mandante da morte, embora o presidente do país, Donald Trump, exima o grande aliado da responsabilidade.A Procuradoria concluiu haver “forte suspeita” de que Saud al-Qahtani e o general Ahmed al-Asiri estão entre os responsáveis pelo crime, cometido no dia 2 de outubro. Os dois foram removidos dos cargos de poder de Riad no mesmo mês do assassinato. Khashoggi”A decisão da Procuradoria de emitir mandados de prisão contra Asiri e Qahtani reflete a visão de que autoridades sauditas não tomarão ações formais contra estes indivíduos”, ressaltou uma das autoridades turcas.No mês passado, os Estados Unidos impuseram sanções a 17 autoridades sauditas que estariam envolvidas no assassinato. Entre elas, estava Qahtani, responsável por tentar a volta de Khashoggi à Arábia Saudita. Asiri, no entanto, não estava na lista de sancionados. Segundo a Procuradoria turca, foi ele quem ordenou a operação para repatriar, sem matar, o jornalista.Na véspera das ordens de prisão, senadores dos Estados Unidos revelarem ter certeza do envolvimento do príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, conhecido como MBS, depois de analisarem informações da agência de inteligência dos EUA (CIA). Tanto republicanos quanto democratas anunciaram que querem aprovar à Arábia Saudita uma mensagem de repúdio sobre o crime contra o jornalista, que estava asilado nos EUA.”Você precisa ser cego para não chegar à conclusão de que isso foi orquestrado e organizado sob o comando de MBS”, ressaltou o senador Lindsey Graham, um dos mais fiéis aliados de Trump.Investigadores sauditas negam que MBS tenha ordenado o assassinato e pedem prisão perpétua para cinco acusados. O governo Trump tem argumentado que o caso não pode prejudicar as relações diplomáticas e econômicas entre Washington e Riad. “A comunidade internacional parece duvidar do comprometimento da Arábia Saudita para processar este crime hediondo. Ao extraditar todos os suspeitos à Turquia, onde Jamal Khashoggi foi assassinado e esquartejado, as autoridades sauditas poderiam responder a estas preocupações”, defendeu o funcionário turco.Khashoggi foi morto após entrar no consulado saudita em Istambul para resolver trâmites burocráticos de seu casamento com a noiva turca. O presidente turco, Tayyip Erdogan, disse que a ordem de matar partiu do alto escalão do governo saudita, mas provavelmente não de MBS. Depois de oferecer explicações contraditórias, Riad confirmou que o jornalista foi morto e seu corpo,esquartejado, por decisão autônoma de uma equipe enviada para repatriar o declarado crítico do regime.A chefe dos Direitos Humanos das Nações Unidas, Michelle Bachelet, pediu nesta quarta-feira uma investigação internacional para determinar a responsabilidade pela morte de Khashoggi. Os restos mortais do jornalistas nunca foram encontrados.”Eu realmente acredito que é necessário (haver investigação internacional) para confirmar o que realmente aconteceu e quem são as pessoas responsáveis por este horrível assassinato”, destacou ela em entrevista coletiva em Genebra.
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