Processos contra Dilma tratam de relações da Odebrecht com governo

65690342_Former Brazilian president Dilma Rousseff arrives at a press conference at the Internationa.jpgBRASÍLIA – As relações da empreiteira Odebrecht com o governo federal e as doações para a campanha presidencial de 2014 são os temas dos pedidos de investigação feitos pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra a ex-presidente Dilma Rousseff. O ministro Edson Fachin, relator dos processos da Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o primeiro caso seja encaminhado para a Justiça Federal do Paraná, e o segundo para o Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3), com sede em São Paulo.

Ex-presidentes Odebrecht

O primeiro pedido também diz respeito ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os ex-ministros Antônio Palocci e Guido Mantega. Eles foram mencionados nas delações de seis executivos da Odebrecht, incluindo os donos da empresa: Marcelo Odebrecht e Emílio Odebrecht. Como nenhum deles possui cargo com foro privilegiado, o caso foi remetido para a primeira instância da Justiça Federal do Paraná. Os documentos também vão ser juntados a um inquérito já em curso no STF que investiga vários petistas por formação de quadrilha.

Segundo o despacho de Fachin, que descreve fatos narrados pelo Ministério Pùblico Federal (MPF), os delatores contam “o desenvolvimento das relações institucionais entre o Grupo Odebrecht e o governo federal, a criação do Setor de Operações Estruturadas, a criação da empresa Braskem, os pagamentos que teriam sido feitos ao governo e o funcionamento das planilhas “Italiano” e “Pós-italiano”, em suposta referência aos períodos em que Antônio Palocci e Guido Mantega ocuparam cargos no governo”.

O Setor de Operações Estruturadas ficou conhecido como o departamento da propina da Odebrecht. “Italiano” e “Pós-italiano” são uma referência aos dois ex-ministros petistas.

Ainda segundo o depacho, Emílio Odebrecht descreveu “o relacionamento mantido com o ex-presidente Lula desde sua campanha, os motivos pelos quais passou a contribuir para ela e seu objetivo de mudar o rumo do setor petroquímico nacional”. Por fim, Pedro Novis, outro delator, relatou “o relacionamento do grupo empresarial com os ex-presidentes Lula e Dilma”.
O outro pedido de investigação contra Dilma também envolve o prefeito de Araraquara (SP), Edinho Silva (PT). Em razão do cargo que ele ocupa, o caso só pode ser processado no TRF3. Edinho já foi ministro de Dilma e tesoureiro de sua campanha à reeleição em 2014. O pedido se baseia na delação de Alexandrino de Salles Ramos de Alencar.

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“Segundo o Ministério Público, relata o colaborador o pagamento de vantagens indevidas, não contabilizadas, no âmbito da campanha eleitoral de Dilma Vana Roussef à Presidência da República no ano de 2014, sendo que tais repasses foram implementados por intermédio do assessor Manoel Araújo Sobrinho e a pedido de Edson Antônio Edinho da Silva (Edinho Silva)”, escreveu Fachin.

Source: O Globo

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