Privatizações podem render R$ 802 bi ao Estado, diz Tesouro a Paulo Guedes


BRASÍLIA — A privatização de todas as empresas estatais pode render ao governo R$ 802 bilhões, segundo estudo apresentado pela Secretaria do Tesouro ao futuro ministro da Economia, Paulo Guedes. O número é semelhante ao que vinha sendo apresentado por Guedes durante a campanha eleitoral, que chegou a prever uma arrecadação de R$ 1 trilhão com a venda das empresas. Apesar dessa estimativa, esse número pode ser bem menor, já que considera todas as companhias, inclusive as consideradas estratégicas pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro, como a Petrobras e o Banco do Brasil.Vender estatais é uma parte central do plano de Paulo Guedes para lidar com o desequilíbrio de gastos públicos. O economista defende, há pelo menos 30 anos, usar o dinheiro arrecadado para abater o montante da dívida pública. Segundo ele, essa seria uma forma de reduzir os juros no país. Não está claro ainda qual será o ritmo do processo de privatizações, que enfrenta resistência de setores da sociedade.Hoje, segundo o mais recente Boletim das Estatais, elaborado pelo Ministério do Planejamento, o Brasil tem 138 empresas estatais: 91 delas são subsidiárias das seis grandes — Petrobras, Eletrobras, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, BNDES e Correios. Um grupo de 18 empresas depende de aportes do Tesouro Nacional.Corte de 20% a 30% em cargos comissionados O projeto de privatizações será tocado pela nova secretaria especial de Desestatização e Desmobilização, sob o comando do empresário Salim Mattar, dono da Localiza, já confirmado no cargo. A nova pasta será uma das seis novas secretarias que ficarão sob o futuro ministério da Economia de Guedes, segundo decisão fechada pela equipe econômica nesta quinta-feira. Com a mudança de estrutura, o futuro governo espera reduzir de 20% a 30% o número de funcionários em cargos comissionados.Além da secretaria de privatizações, será criada uma secretaria especial de Arrecadação e Previdência, tocada pelo economista Marcos Cintra. A estrutura ficará acima da atual secretaria da Receita Federal, que pode continuar sob o comando de Jorge Rachid. Para a secretaria de Previdência, um dos cotados é Leonardo Rolim.A equipe também já fechou a indicação do economista Marcos Troyjo para assumir a secretaria de Comércio e Assuntos Internacionais. A pasta agregará as funções de comércio exterior e atração de investimentos e tecnologia. Dois egressos da Universidade de Chicago, onde Guedes estudou, estão cotados para exercer cargos especiais na nova pasta.Os atuais ministérios da Fazenda, Planejamento e Indústria e Comércio também se transformarão em secretarias especiais. Para a Fazenda, Waldery Rodrigues Júnior é um dos cotados, já que Mansueto Almeida deve permanecer no Tesouro. A área de indústria e comércio passará a se chamar Produtividade e Competitividade, para a qual um dos mais cotados é o ex-diretor do BNDES Carlos da Costa. A equipe ainda estuda um nome para a área de Planejamento.
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