Priscila Tossan sai do 'The voice Brasil 2018' por escolha errada de música, mas fica em cena como cantora de forte personalidade


Cantora que polarizou opiniões divergentes, manifestadas com paixão pelo público ao longo da sétima temporada do programa The Voice Brasil, a carioca Priscila Tossan era uma das favoritas para chegar à final marcada para amanhã, 27 de setembro. Até porque a torcida favorável era maior do que o público que se incomodou com o estilo do canto da artista, marcado tanto por chiado carioca quanto por suingue singular.
Mas Priscila perdeu para Isa Guerra, na disputa do time do técnico Lulu Santos. E Priscila perdeu por conta da escolha equivocada da música que cantou na semifinal. Numa fase em que a vitória do intérprete é decidida sobretudo pelo voto popular, a cantora errou ao optar por dar voz a Bom senso, música pouco sedutora do repertório do cantor carioca Tim Maia (1942 – 1998) na mística fase conhecida como Racional.
Bom senso é soul lançado por Tim em 1975, na época em que o cantor estava envolvido com a seita Universo em desencanto. A letra prega inclusive a leitura de livro da seita, Imunização Racional, para o alcance do bom senso. Trata-se de música composta em caráter tão pessoal que foi gravada em disco somente por Tim.
Priscila Tossan dividiu opiniões com canto marcado por chiado carioca e suingue singular
Reprodução / GShow
Ao defender Bom senso, Priscila Tossan reiterou a forte personalidade da artista, mas não conseguiu dar ao soul de Tim um acento sedutor como o que dera a Negro gato (Getúlio Cortes, 1965) em apresentação anterior da cantora no programa.
A apresentação de ontem foi a pior feita por Priscila ao longo da temporada. O que motivou o público a votar na concorrente Isa Guerra. Tivesse escolhido uma música mais conhecida e mais palatável para o público brasileiro, Priscila Tossan provavelmente teria chegado à final da competição como a cantora-sensação do The voice Brasil 2018.
Embora tenha saído na semifinal, Priscila Tossan certamente permanecerá na cena nacional como a artista de extraordinária personalidade que provou ser ao longo da temporada, como ressaltou Lulu Santos. A maior voz não é necessariamente a mais possante.
Contudo, além da personalidade (qualidade fundamental para qualquer intérprete, independentemente da potência vocal), a escolha do repertório é fator decisivo para a conquista do público. Seja em competições musicais, nos shows ou nos bailes da vida.

Editoria de Arte / G1
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