Prisão de executiva da Huawei ameaça acirrar guerra comercial China-EUA


VANCOUVER — Uma destacada executiva chinesa, herdeira da gigante tecnológica Huawei, foi presa no sábado no Canadá a pedido dos Estados Unidos, em uma ação que promete escalar tensões entre Pequim e Washington. Os motivos da prisão de Meng Wanzhou, chefe financeira do grupo, ainda não foram divulgados, mas autoridades ouvidas pela Reuters afirmam que se relacionam a acusações de que seu grupo exporta produtos com tecnologia americana para o Irã, o que violaria as sanções impostas sobre o país persa. huawei_6-12Autoridades chinesas protestaram contra a prisão e exigiram a soltura imediata de Meng, integrante da Huawei desde 1993 e filha do fundador da empresa de tecnologia, cujo faturamento em 2017 foi de US$ 92,549 (R$ 358 bilhões). A prisão aconteceu no mesmo dia em que o presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping, reuniram-se em Buenos Aires e combinaram uma trégua de 90 dias em sua guerra comercial. Os dois países preparam-se para iniciar tensas negociações, na esperança de acabar com a disputa comercial que abala as duas economias.A China busca que os EUA reduzam suas tarifas; em troca, Washington deseja uma redução das barreiras comerciais e uma abertura maior para empresas americanas. As negociações agora enfrentam um desafio maior. A detenção de Meng levanta questões sobre a estratégia geral do governo Trump na China, e Pequim deve pressionar os Estados Unidos para evitar um julgamento.Um porta-voz da Justiça do Canadá, Ian McLeod, disse que a executiva foi detida em Vancouver e era “procurada para ser extraditada para os EUA”, mas não ofereceu detalhes adicionais. Ele acrescentou que uma ordem de sigilo requerida por Meng o impedia de falar mais sobre o caso. Uma audiência de custódia está marcada para a próxima sexta-feira.A notícia pressionou ações de empresas de tecnologia em bolsas asiáticas, que registraram queda. A Huawei é uma das maiores fabricantes mundiais de aparelhos e equipamento para redes de telecomunicações, e a segunda maior produtora mundial de smartphones, atrás apenas da Samsung. Apesar da popularidade, a empresa sofreu restrições em diversos países, sob pressões americanas e alegações de receios relacionados à segurança nacional. Dentre os países que bloquearam a participação de equipamentos da Huawei em futuras redes 5G estão Austrália, EUA e Nova Zelândia.Desde 2016, a Huawei está sob investigação pelos Estados Unidos, pela suspeita de ter violado restrições comerciais americanas para países como Cuba, Irã, Sudão e Síria.RepercussõesA Huawei informou em comunicado que Meng foi presa enquanto trocava de avião no Canadá e que ela enfrentava acusações não especificadas do Distrito de Nova York. “A companhia recebeu muita pouca informação relacionada às acusações e não está ciente de qualquer ação errada por parte da senhora Meng”, informou em um comunicado, acrescentando que a empresa obedece às leis dos países onde opera. guerra comercial – 022/12O senador republicano Ben Sasse, de Nebraska, vinculou a prisão a sanções contra o Irã:— [A China] está trabalhando com muita criatividade para atrapalhar os interesses de nossa segurança nacional, e os EUA e os nossos aliados não podem fingir que nada está acontecendo — disse. — Os americanos são gratos aos nossos parceiros canadenses por prenderem a líder financeira de uma companhia chinesa gigante de telecomunicações por romper as sanções americanas contra o Irã.Julian Ku, professor da Universidade de Direito Hofstra, escreveu no Twitter que a ação era justificável. “A lei dos EUA proíbe a exportação de certas tecnologias de origem norte-americana para certos países”, disse ele. “Quando a Huawei licencia certa tecnologia dos EUA, ela promete não exportar para certos países como o Irã. Portanto, não é descabido para os EUA punir a Huawei por desrespeitar esta lei dos EUA”, escreveu.A prisão desencadeou firmes críticas na China. Um porta-voz da embaixada chinesa no Canadá disse em um comunicado que “o lado chinês se opõe firmemente e protesta fortemente sobre esse tipo de ação” e pediu às autoridades que “corrijam imediatamente as irregularidades e restaurem a liberdade pessoal da Sra. Meng”. Mei Xinyu, pesquisadora de um instituto de pesquisa do Ministério do Comércio da China, escreveu em um artigo na conta da imprensa oficial da rede social WeChat que a prisão foi um aviso de que o governo Trump poderia abandonar sua negociação com a China. “Podemos ter certeza de que no futuro próximo, uma estrada cheia de obstáculos, seguida por negociações, serão a regra nas relações entre a China e os EUA”, escreveu. “A China deve se acostumar com esse novo ambiente de luta e tratar todas as promessas do governo dos EUA cautela”.A prisão vai de acordo com várias políticas externas importantes do governo Trump. As autoridades americanas tentaram persuadir outras nações a restringir os negócios com a Huawei por causa de preocupações de segurança. Desde que o republicano assumiu, a Casa Branca também se concentrou no endurecimento e na imposição de sanções econômicas sobre o Irã, retirando-se do acordo nuclear assinado por Barack Obama. No mês passado, foram impostas novas sanções contra a economia iraniana, e a China foi um dos poucos países autorizados a continuar a comprar petróleo por seis meses.Os Estados Unidos e a China também estão envolvidos em uma luta pela supremacia de alta tecnologia. As empresas de internet da China, fabricantes de semicondutores e fabricantes de equipamentos de telecomunicações cresceram rapidamente, com muitos benefícios e investimentos do governo.Representante de imprensa do Departamento de Justiça e da Procuradoria dos Estados Unidos no Distrito Leste de Nova York recusaram-se a comentar. A Casa Branca não respondeu imediatamente ao pedido do New York Times se Trump estava ciente da detenção no momento de seu encontro com o presidente Xi.
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