Primeira mulher a chefiar CIA supervisionou tortura em prisão secreta

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RIO — Num dia de mudanças para o seu Gabinete, o presidente Donald Trump nomeou pela primeira vez uma mulher para chefiar a CIA. Gina Haspel, de 61 anos, no entanto, participou de capítulos sombrios da Agência de Inteligência dos EUA. Ela supervisionou atos de tortura contra dois suspeitos de terrorismo em 2002 numa prisão secreta da Tailândia, e, depois, destruiu as fitas de vídeo que haviam documentado o duro interrogatório. O caso veio à tona no ano passado, quando arquivos da agência sobre o caso foram divulgados. eua

Haspel já vinha atuando como vice-diretora da CIA desde o início de 2017. Ela é considerada uma veterana respeitada entre os colegas e passou a maior parte da sua carreira como uma agente secreta, de acordo com o “New York Times”. Teve um papel direto no “programa de rendição extraordinária” da agência, em que pessoas acusadas de terrorismo sequestradas pelos serviços secretos dos Estados Unidos ficaram sob a custódia de governos estrangeiros e foram mantidos em instalações secretas fora do país, onde eram submetidos a tortura.

A agora diretora da CIA teria chefiado a primeira detenção fora do território americano pela agência, na Tailândia. Lá, os detentos Abu Zubaydah e Abd al-Rahim al-Nashiri, então suspeitos de serem membros da al-Qaeda, foram submetidos a interrogatórios brutais, com diversas sessões de afogamento simulado — uma prática que passou a ser aceita oficialmente na “guerra ao terror” decretada depois dos atentados contra as Torres Gêmeas em Nova York, em 11 de setembro de 2001.

Documentos da agência revelaram em 2017 que Zubaydah foi, sozinho, alvo da prática 83 vezes em um mês, e a sua cabeça foi repetidamente batida contra a parede. Ele foi submetido também a outros métodos de tortura, incluindo privação de sono, e mantido numa “grande caixa”, de acordo com os arquivos, até que os investigadores decidiram que ele não tinha informações úteis para oferecer.

Os vídeos foram mantidos num cofre da CIA na Tailândia até 2005, por ordens do então chefe de Haspel, Jose Rodriguez. Era o nome dela, no entanto, que estava registrado nos arquivos destruídos. Alguns anos atrás, a agência queria nomeá-la chefe de operações secretas, mas a democrata Dianne Feinstein, integrante da Comissão de Inteligência do Senado, bloqueou a promoção por conta da sua participação no programa de interrogatórios e a destruição das fitas.

Uma investigação do Departamento de Justiça dos EUA sobre a destruição dos registros terminou sem acusações formais contra Haspel. Por sua vez, a Tailândia negou que soubesse da história. No entanto, agora, diversos críticos questionam a sua promoção à chefia da agência.

O governo do presidente George W. Bush autorizou o uso de afogamento simulado como técnica de interrogatório após o 11 de Setembro. Para evitar as restrições vigentes dentro dos EUA, os investigadores recorriam a este método em prisões secretas em outros páises.

Em janeiro de 2017, mês em que tomou posse, Trump disse que “a tortura funciona”, e sugeriu que os seus conselheiros de segurança estavam defendendo a volta de duros métodos de interrogatório. Em meio à polêmica, ele disse que caberia ao secretário de Defesa, James Mattis, e a Mike Pompeo — então diretor da CIA, que agora assumirá o cargo de secretário de Estado e será substituído na agência por Haspel — determinar o que poderia ser feito legalmente ou não.

— Eu conversei há 24 horas com pessoas do mais alto nível da Inteligência, e perguntei para eles: “Tortura funciona?”. A resposta foi: “Sim, absolutamente”. Então, até onde eu sei, temos o direito de combater fogo com fogo.


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