Preso, Pezão deixa pendente o futuro do Maracanã


Preso nesta quinta-feira em um desdobramento da Operação Lava-Jato, o governador Luiz Fernando Pezão deixa o Palácio Guanabara sem ter resolvido o principal impasse relacionado ao esporte na atual gestão: o que fazer com a concessão do Maracanã. Inclusive, o uso do estádio na Copa América foi assunto abordado por Pezão em uma das últimas intervenções dele junto aos dirigentes de futebol.A licitação do complexo esportivo, conduzida durante o segundo mandato de Sérgio Cabral, já foi cancelada por uma decisão da Justiça ao considerar que houve vícios no processo de concorrência. A decisão só não foi executada ainda porque aguarda cumprimento de ritos processuais. Nesta semana, próprio Pezão virou alvo de uma ação civil pública porque o Ministério Público do Rio (MP-RJ) o considera responsável por um prejuízo de R$ 2,9 milhões aos cofres públicos referentes aos gastos necessários para refazer uma obra no estádio para os Jogos Olímpicos.conteudos-pezao-vizinhos1Antes disso, em 2017, o governo ficou muito perto de mudar a concessão de mãos, tirando a Maracanã S.A – cuja acionista majoritária é a Odebrecht – e vendendo a administração à Lagardère. Só que a empresa francesa desistiu do negócio sob o argumento de falta de segurança jurídica.Durante o governo Pezão, foram várias as promessas de publicação de novo edital do Maracanã. A Casa Civil até avançou na formulação do documento, mas ele nunca foi “para a rua”. Ao mesmo tempo, nem o processo de arbitragem conduzido pela FGV conseguiu concretizar o rompimento do contrato. Durante esse período, a mesma concessionária que antes contava os dias para se livrar do Maracanã passou a olhar de forma diferente para a responsabilidade de administrar o estádio. Hoje, ela vê viabilidade para os anos que estão por vir. Na atual administração, o ressentimento é que o governo Pezão não parou para resolver as dificuldades geradas pelo descumprimento da contrapartida do governo que estava prevista no contrato: a demolição do Célio de Barros, por exemplo. A redefinição das bases contratuais não veio até hoje. Por outro lado, entende-se que, diante da conjuntura de crise na qual o estado do Rio se afundou, resolver o futuro do estádio não estaria no topo da lista de prioridades.Embora uma solução não tenha sido dada pelo Executivo estadual, foi a palavra empenhada por Pezão que deu a segurança ao Comitê Organizador da Copa América e à Conmebol para manter o estádio carioca no cronograma de jogos da competição do ano que vem. O Maracanã será palco da final.Quem participou das conversas garante que o governador “nunca atrapalhou” os projetos envolvendo o futebol e foi “solidário e parceiro” na discussão envolvendo a Copa América. A decisão judicial de encerrar a concessão deixou as entidades temerosas, mas Pezão afirmou que cumpriria os compromissos mesmo se o estádio voltasse a ser gerido pelo poder público.Preso nesta quinta-feira por envolvimento no esquema de recebimento de propina que já levou figurões da política fluminense à cadeia, Pezão não poderá ver de perto o resultado da promessa que fez, caso a presença atrás das grades não seja remediada.
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