Por dois dias, mexicana encoraja irmão morto sob escombros do terremoto

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CIDADE DO MÉXICO — Contra o tempo e o cansaço, as tarefas de resgate e ajuda continuaram por toda a quinta-feira na Cidade do México depois do poderoso terremoto de magnitude 7,1 de terça-feira, quando já havia ao menos 273 mortos e a esperança de encontrar sobreviventes começava a minguar. Durante duas noites, a família de Erick Gaone se manteve frente a escombros, gritando em frente ao monte de concreto com um megafone: “Resiste! Aguenta! Você consegue, Erick!”. méxico

Na terça-feira, passado o tremor, a sensação na rua era que o pesadelo havia terminado, e Erick voltou ao seu trabalho para pegar seus pertences. A decisão se transformou numa armadilha que custou sua vida. O prédio de quanto andares em Colonia Roma que o homem trabalhava desabou 40 minutos depois do terremoto.

— Ele saiu e entrou de novo. Dissemos a ele para não fazer isso, mas entrou mesmo assim para pegar suas coisas — contou um vendedor da banca de jornais e guloseimas que fica em frente ao edifício comercial em que Erick trabalhava.

A família de Erick o procurou nas listas dos hospitais e não o achou. Deste então, os parentes do homem ficou junto aos serviços de resgate com um megafone falando com ele dia e noite. Durante duas noites, com cada latido dos cães farejadores — que latem quando descobrem alguém soterrado — a esperança se renovava. Os socorristas já haviam retirado três pessoas vivas e três mortas do local, e só faltava Erick.

— Não vamos sair daqui até que você saia. Sua filha está bem, seus pais estão bem. Tenha fé — gritava sua irmã, que ficou por dois dias no local.

Perto do meio dia de quinta-feira, um pastor belga chamado Chichi localizou um lugar e começou a arranhar o cimento de forma frenética. Era a segunda vez que o cão marcava o mesmo ponto. Assim que a existência de um corpo no local foi confirmada, os socorristas se juntaram entre as pedras e retiraram Erick envolto em um lençol. Então, em um gesto que já é símbolo, levantaram o punho para pedir um minuto de silêncio.

Depois, os socorristas explicaram que Erick morreu quando o prédio desabou, com a queda dos primeiros vidros. A irmã da vítima, então, parou diante de dezenas de voluntários que buscavam pelo seu irmão e pegou o símbolico megafone que usava há dois dias para encorajá-lo para se dirigir às equipes de socorro.

— Obrigada a todos, obrigada àqueles que ajudaram nos resgate, a quem trouxe comida e mantimentos. Peço um aplauso para os socorristas — disse a mexicana, que desapareceu em meio às pessoas, com o megafone nas mãos.

Fonte: O Globo Por dois dias, mexicana encoraja irmão morto sob escombros do terremoto

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