Por 12 anos, ele percorreu 96 km para nadar, 3 vezes por semana. Hoje, Cachorrão quer Tóquio-2020

guilherme costa divulgação cbda.jpegRIO – Na infância, Guilherme Costa estava jogando bola com os amigos em uma praia de Angra dos Reis quando ela parou perto de um cachorro. Ao buscá-la, acabou mordido pelo animal. No dia seguinte, os garotos voltaram ao local, mas o cachorro não estava mais lá. Perguntando sobre o bicho, souberam que ele morreu logo após a mordida, sem mais explicações. Desde então Guilherme ganhou um apelido, “Cachorrão”, pelo qual é conhecido até hoje na natação brasileira. Só que ele não deve sumir tão cedo.

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Primeiro brasileiro a nadar abaixo dos 15 minutos na prova de 1.500m livre, Cachorrão é a nova promessa da média-distância brasileira. Com apenas 19 anos, o rapaz já é o dono de 30 recordes divididos em diversas competições, entre eles a marca de 14min59s01 nos 1.500m livre, que lhe deu o recorde sul-americano da prova – a melhor marca mundial pertence ao chinês Yang Sun, com 14min32s02. São 27 segundos de diferença, que parecem pouco quando comparados com as eternidades que Guilherme já percorreu.

guilherme costa satiro sodré sspress cbda 02 maio de 2017 2.jpgFilho de um mestre de obra e uma enfermeira, Cachorrão morava em Itaguaí, município da Região Metropolitana do Rio, e atravessava cerca de 48 km para treinar no Recreio, Zona Oeste do Rio. E voltava. A distância acabou sendo seu maior desafio e ele só conseguia treinar com o técnico Rogério Karfunkelstein apenas três vezes na semana. Mesmo assim, na seletiva para a Olimpíadas da Rio-2016 ele ficou em terceiro lugar, porém, somente os dois primeiros foram convocados para integrar o time brasileiro. Na final olímpica, para se ter uma ideia, o bronze foi conquistado em 14min40s89, pelo italiano Gabriele Detti – dez segundos a menos que a melhor marca de Guilherme.

Para se dedicar mais ao esporte, o itaguaiense se mudou para o Recreio em julho do ano passado. E começou a treinar cinco horas diariamente, 2h30 na parte da manhã e o restante a tarde, além de meia hora dedicada a preparação física.

— Eu treinava três vezes na semana no Recreio e o restante eu nadava sozinho em Itaguaí. Acabei não conseguindo o tempo para competir na Olimpíadas do Rio. Foi triste, e eu sei que se treinasse diariamente com meu técnico teria conseguido. Me mudei em julho, dois meses depois, em setembro, consegui bater o tempo que me classificaria — conta Guilherme.

Tímido e de poucas palavras, o rapaz tem um olhar atento, de cão que não ladra. Guilherme entrou na piscina do Parque Aquático Maria Lenk, na Barra da Tijuca, na manhã dessa terça-feira com o objetivo de conquistar o ouro nos 1.500 m do Troféu Brasil – Maria Lenk. Ele também pretende quebrar os recordes sul-americanos nas provas de 1.500, 800 e 400m, além de se aproximar do tempo dos cinco primeiros atletas mundiais nos 1.500 m na competição que ocorre até esse sábado.

Ele começou nadando em um projeto do Botafogo em Itaguaí por incentivo dos avós, que não eram atletas mas nadavam como forma de se manterem ativos. Hoje, o garoto é atleta do Esporte Clube Pinheiros, de São Paulo. O técnico Karfunkelstein, no entanto, fez um acordo com o clube para que Guilherme continuasse a treinar no Rio.guilherme costa satiro sodré sspress cbda 02 maio de 2017.jpg

TROFÉU BRASIL

A principal competição nacional de natação, agora com o nome Troféu Brasil – Maria Lenk, começa às 9h30 desta terça-feira, no Parque Aquático Maria Lenk, na Barra da Tijuca. Após um 2017 conturbado com a prisão de Coaracy Nunes, que comandou a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) por 30 anos, durante a operação Águas Claras, que investigava esquema de desvios de recursos públicos repassados ao órgão, o torneio tenta recuperar fôlego com 328 atletas e 38 clubes disputando a Taça Correios de terça-feira a sábado.

O torneio é classificatório para o Pan-Pacífico, para o Campeonato Sul-Americano de Desportos Aquáticos e para os Jogos Olímpicos da Juventude. E tem a presença, entre outros, dos campeões olímpicos Cesar Cielo, que nadará novamente pelo Pinheiros, Ruta Meilutyte, que atuará pelo Flamengo, e a holandesa Sharon Van Rouwendaal, campeã nas maratonas aquáticas que representa a Unisanta nesta temporada. Além deles, os brasileiros medalhistas do Campeonato Mundial, que foi realizado em julho de 2017, em Budapeste: Ana Marcela Cunha, Bruno Fratus, Nicholas Santos, Gabriel Santos, João Gomes Júnior e Marcelo Chierighini.


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