Policial de UPP alertou sobre risco de invasão na Rocinha, no ano passado

RIO – A guerra em que mergulhou a maior favela do Rio poderia
ter sido evitada pela Polícia Militar, que ignorou informações obtidas por um
sargento da corporação dois dias antes da invasão de traficantes rivais.
Inertes, as autoridades assistiram ao início da batalha entre as duas maiores
facções do Rio.Nos dias seguintes, a Rocinha recebeu reforço de tropas de elite da PM e até
das Forças Armadas. Hoje, um ano depois, os invasores controlam todos os becos e
vielas, e a Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da comunidade está na lista
das que vão ser extintas até o fim do ano.E-mails obtidos pelo GLOBO revelam que a PM sabia que a favela poderia ser
invadida. Às 21h42m do dia 14 de setembro do ano passado, uma quinta-feira, um
sargento do setor de inteligência da UPP da favela passou essa informação por
e-mail às coordenadorias de Inteligência e de Polícia Pacificadora da
corporação. O texto dava detalhes de como os bandidos agiriam. “Dados chegados a
este núcleo mostram que haverá uma possível invasão à Rocinha de traficantes
oriundos da própria, com apoio de pessoal e armamento da Vila Vintém”, dizia a
mensagem.O aviso, entretanto, jamais passou do setor de inteligência para o
operacional. Segundo seis oficiais que integravam a cúpula da PM na época, a
mensagem não chegou ao então comandante da PM, coronel Wolney Dias, ou a
integrantes do Estado-Maior.— Claro que houve falha. Não dá para saber se foi proposital ou se não
acreditaram na informação. O fato é que não levaram o comunicado a quem deveria
— contou um dos oficiais.O texto destacava ainda o motivo da invasão: o racha entre Rogério Avelino da
Silva, o Rogério 157, e Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, que estava na
cadeia e era chefe de 157 até então. A mensagem ressaltava que Rogério tinha
tomado as armas dos bandidos ligados a três homens mortos no dia anterior. As
vítimas eram aliadas de Nem.O crime acabou desencadeando a guerra. A invasão aconteceu às 6h do dia 17 de
setembro. De acordo com o inquérito aberto para investigar o caso, cerca de cem
traficantes de várias favelas dominadas pela facção Amigos dos Amigos (ADA) —
São Carlos, Vila Vintém e Pedreira — foram armados à Rocinha, a mando de Nem,
para tomar a favela de Rogério 157.HOUVE OUTRO ALERTAO e-mail do dia 14 não foi o único enviado por policiais da UPP para alertar
sobre a invasão. Às 17h37m do dia 16, 12 horas antes da guerra, outra mensagem
com título “Possível invasão na comunidade da Rocinha” foi enviada às
coordenadorias de Inteligência e de Polícia Pacificadora. “O clima já não está
tão tranquilo em relação a essa recusa do Rogério 157 em entregar a comunidade
por ordem do Nem”, diz o texto de oito parágrafos, que também cita as favelas de
onde os criminosos sairiam. No momento da invasão, cerca de 200 policiais militares patrulhavam a favela,
graças a um reforço enviado por UPPs vizinhas pedido pelo comando da unidade da
Rocinha. No mesmo fim de semana, acontecia o Rock in Rio. O dia estava
amanhecendo quando todos os oficiais do Estado-Maior da PM foram acordados. Às
9h, um gabinete de crise era criado no Quartel General da corporação. No dia
seguinte, 540 policiais militares cercaram a Rocinha. Desde então, a favela
ficou tomada por tropas à procura de traficantes.O GLOBO não conseguiu contato com os coronéis Antônio
Jorge Goulart, chefe da Coordenadoria de Inteligência na época, e André Luiz
Belloni Gomes, da Coordenadoria de Polícia Pacificadora, exonerado dez dias após
a invasão. A PM alega que “todas as medidas possíveis foram adotadas pela
corporação para pôr fim ao confronto entre criminosos de facções rivais”.Quase três meses após a invasão, Rogério 157 foi preso numa favela em
Benfica. Mesmo num presídio federal fora do Rio, ele continua a controlar a
Rocinha. Desde o início do ano, o bando de Nem não tenta retomar a comunidade.
Leia a notícia completa em O Globo Policial de UPP alertou sobre risco de invasão na Rocinha, no ano passado

O que você pensa sobre isso?