Polícia não encontra imagens suspeitas em material apreendido na casa de ex-treinador da ginástica

201805161738087788.jpg-GPG3NREEU.1.jpg SÃO PAULO – Análise preliminar no material apreendido na casa do ex-técnico da Seleção Brasileira de Ginástica, Fernando de Carvalho Lopes, de 40 anos, não identificou conteúdo pornográfico que o incrimine. A Polícia Civil, no entanto, solicitará uma perícia especializada para buscar imagens e documentos que, porventura, possam ter sido apagados. O ex-técnico é acusado de ter abusado sexualmente de cerca 40 atletas quando ainda eram menores de idade. Alguns ginastas contaram que Lopes também os filmava e fotografava durante o banho.

Na casa do ex-técnico, em São Bernardo do Campo, foram apreendidos CDs, DVDs, HD externo, pen drives e uma fita cassete em uma operação realizada no dia 4 de maio.

Fernando ainda não prestou depoimento no inquérito que o investiga. Antes de convocá-lo, a polícia espera concluir o depoimento das vítimas. Até este momento, cerca de 25 pessoas foram ouvidas, incluindo atletas, treinadores e psicólogos que atuavam na equipe de Fernando.

Um dos próximos a prestar depoimento à polícia será o ginasta Petrix Barbosa, que mora nos Estados Unidos. Uma das hipóteses é que ele seja ouvido em Miami, onde treina atualmente. Na reportagem do “Fantástico”, da Rede Globo, que revelou os supostos abusos, Petrix foi o único a falar abertamente sobre o assédio. Depois dele, o ginasta Lucas Altmeyer também revelou ter sido vítima de Fernando e foi à polícia. Já o medalhista olímpico Diego Hypolito afirmou que não ter sido assediado pelo ex-treinador, mas contou ter sofrido bullying sexual. Hypolito também já foi ouvido pela polícia.

Em depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Maus-Tratos no Senado, nesta quarta-feira, Fernando reafirmou ser inocente e classificou as denúncias dos atletas como vingança. Foi a primeira vez que ele falou publicamente. Antes, ele o ex-técnico só havia se manifestado por meio de nota divulgada por sua defesa.

— Eu trabalho há 20 anos, não há 20 meses, nem há 20 dias. A partir do momento em que uma acusação dessas é feita em meu nome, eu entendo que é uma denúncia muito grave e difícil de lidar. Sou pai e sou o primeiro a falar que sou contra (assédio) e correria atrás dos direitos pelos meus filhos. Mas o volume que foi colocado sobre mim, a forma que foi feita, eu não penso outra coisa a não ser vingança — defendeu-se.

O ex-treinador, durante o depoimento, confirmou que atletas tinham descontos sem suas bolsas se faltassem ou chorasse durante os treinos. Fernando disse que o dinheiro descontado era usado para comprar novos equipamentos para treinos. Segundo ele, Ivonete Fagundes era a supervisora financeira e responsável por essas transações. Ela deve ser chamada a depor na CPI também.

Na época em que surgiram as primeiras denúncias contra Fernando em 2016, Ivonete foi a responsável por afastá-lo.

— A decisão não foi minha. Eu só comuniquei o Fernando sobre o afastamento — disse, ao GLOBO, Ivonete, que segue como supervisora da ginástica em São Bernardo do Campo.

Sobre os descontos das bolsas dos atletas, Ivonete afirmou que está juntando os processos administrativos sobre os pagamentos e só se pronunciará com a documentação em mãos


Leia a notícia completa em O Globo Polícia não encontra imagens suspeitas em material apreendido na casa de ex-treinador da ginástica

O que você pensa sobre isso?