PM investiga policiais por tortura com prancha de cabelo na Baixada Fluminense


RIO – Quatro moradores de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, denunciaram à Corregedoria da PM que foram vítimas de uma sessão de tortura na última sexta-feira. De acordo com os relatos dos jovens, cerca de 15 policiais militares do Batalhão de Choque agrediram as vítimas num condomínio próximo à Favela da Guacha. A sessão de tortura envolveu, ainda segundo os depoimentos, além de tapas no rosto, chutes e choques elétricos, queimaduras no pênis de um dos rapazes com uma prancha para fazer chapinha no cabelo, sufocamento com saco plástico e a introdução de um cabo de vassoura no ânus das vítimas.

Exames realizados pelo Núcleo de Perícia da Corregedoria constataram lesões em três das quatro vítimas. Durante a perícia, foi detectada uma lesão com sangramento no pescoço de um dos jovens. Em outra vítima, os peritos coletaram um pedaço de látex próximo ao ânus. O material foi encaminhado para perícia. A assessoria de imprensa da PM confirmou que “os fatos estão sendo apurados pela Corregedoria”. A corporação informou que as vítimas também foram encaminhados para perícia na Polícia Civil.

A sessão de tortura teria como objetivo, segundo os depoimentos que fazem parte da investigação, obter informações sobre a localização de armas e drogas no condomínio. Três dos policiais foram identificados pelas vítimas. A Corregedoria vai pedir à Justiça as prisões dos PMs acusados.links tortura 30/10

O caso chegou à Corregedoria da PM no mesmo dia em que o jornal “Extra” revelou denúncias de tortura contra presos num quartel das Forças Armadas na Zona Oeste do Rio, que teria ocorrido no dia 20 de agosto. O Exército informou que abriu, nesta segunda-feira, um Inquérito Policial Militar para investigar o caso. De acordo com nota enviada pelo Comando Militar do Leste (CML), a investigação tem o “objetivo de apurar fatos supervenientes divulgados em matérias jornalísticas referentes à prática, por militares, de supostos excessos e abusos contra perturbadores da ordem pública presos em operação no Complexo da Penha”.

Chamados por rádio

De acordo com os depoimentos prestados à Corregedoria da PM, a sessão de tortura em Belford Roxo durou quatro horas. Três jovens afirmam que foram abordados pelos agentes na parte externa do condomínio e, depois, conduzidos ao apartamento de uma quarta vítima.

A partir da chegada de mais policiais ao apartamento, chamados via rádio, as vítimas teriam sido obrigadas a tirar as roupas. Um PM, segundo os jovens, ligou na tomada uma prancha de cabelo e queimou o pênis de uma das vítimas. Como não respondia as perguntas dos PMs, o mesmo jovem foi sufocado com um saco plástico. Os outros jovens dizem ter sido vítima de choques, socos e chutes e também afirmam que os PMs introduziram um cabo de vassoura com um preservativo em seus ânus. Os agentes são acusados ainda de, após a tortura, terem roubado relógios, dinheiro e cordões dos jovens.

A operação em que os rapazes dizem ter sido torturados na Baixada teve participação do Bope, do Batalhão de Ação com Cães (BAC) e do Grupamento Aeromóvel (GAM), além do Choque. Sete pessoas foram presas. Uma pistola, um revólver, uma granada e grande quantidade de drogas foram apreendidos na ação, nas favelas da Guacha e Gogó da Ema.


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