Para Francisco admite que Igreja demorou para combater pedófilos

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VATICANO — O Papa Francisco admitiu nesta quinta-feira que a Igreja Católica percebeu “um pouco tarde” os danos provocados por padres e sacerdotes que estupraram e molestaram crianças em vários países, e se desculpou pela política vigente por décadas de apenas mover pedófilos entre as dioceses, em vez de puni-los. As declarações foram dadas no primeiro encontro do Pontífice com uma comissão criada em 2014 para aconselhá-lo sobre as melhores práticas para combater a pedofilia. O grupo apresentou propostas que, se aceitas, serão um marco na forma como a Igreja lida com o problema.

Uma das recomendações é que casos de abuso sexual sejam excluídos das normas da Igreja que exigem “segredo pontifício”. O grupo propôs que as vítimas tenham “direito mínimo à informação” enquanto suas denúncias são analisadas em processos que atualmente correm em segredo. Os comissários também propuseram o fim do estatuto que limita a 20 anos o prazo para acusações serem feitas.

Além disso, a comissão informou estar discutindo o problema enfrentado quando as leis da Igreja “impedem a denúncia de suspeita de abuso infantil às autoridades civis”. O Vaticano defende que a inviolabilidade do selo de confissão impede que clérigos que tenham conhecimento de um caso por meio da prática sacramental relatem o crime às autoridades, mas recentemente uma comissão australiana determinou que religiosos enfrentem acusações criminais caso não denunciem casos que tenham conhecimento, mesmo que em confissões.

Em seu discurso, Francisco agradeceu aos membros da comissão pelo trabalho e reconheceu que eles enfrentaram um difícil trabalho por “nadar contra a corrente”, para tornar a Igreja e o Vaticano cientes e mais aptos a lidar com o problema. O Pontífice reconheceu que a resposta da Igreja aos escândalos de pedofilia foi lento.

Por décadas, o Vaticano fechou os olhos para o problema e, em vez de destituir os religiosos pedófilos e encaminharem os casos às autoridades policiais, apenas os mudavam de paróquias. Parte do problema era que, sob o papado de João Paulo II, o Vaticano foi relutante em expulsar jovens padres, mesmo que abusadores, e tentou evitar escândalos públicos.

— A consciência da Igreja chegou um pouco tarde, e quando a consciência chega tarde, os meios para resolver o problema também atrasam — disse Francisco. — Talvez a velha prática mover as pessoas, e não confrontar o problema, manteve as consciências adormecidas.

O Papa também abordou a forma como o Vaticano está lidando com os apelos contra sentenças canônicas, dizendo que está tentando colocar mais bispos diocesanos nas comissões de apelação, atualmente dominadas por advogados. Segundo ele, advogados “tendem a querer sentenças menores”, e ele quer que bispos diocesanos com experiência na questão tenham voz.

— Eu decidi equilibrar essas comissões e dizer que, se o abuso de um menor for provado, é suficiente e não há necessidade de recurso. Se há uma prova, ponto. É definitivo. Por que? Não por causa da repulsa, mas simplesmente porque a pessoa que fez isso, homem ou mulher, é doente. É uma doença — disse o Papa.

Fonte: O Globo Para Francisco admite que Igreja demorou para combater pedófilos

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