Para a empresa mais valiosa do mundo, proteger o ambiente não é abrir mão de ganhar dinheiro


Lisa Jackson, vice-presidente de meio ambiente, política e iniciativas sociais da Apple, durante a abertura do Web Summit 2018 (Foto: Sam Barnes/Web Summit via Sportsfile)

 

Não é um ativista falando, é a empresa mais valiosa do mundo. Para Lisa Jackson, vice-presidente de meio ambiente, política e iniciativas sociais da Apple, ser sustentável pode, sim, caminhar ao lado de aumentar os lucros. “Não há conflito entre um planeta saudável e um resultado saudável”, afirmou ela durante a abertura do Web Summit nesta segunda-feira (05/11). “É falsa a ideia de que é preciso escolher entre ter lucro e salvar o meio ambiente”.

Lisa contou que passou anos de sua carreira trabalhando para o governo – na administração Obama, ela chefiou a agência de proteção ambiental americana. Do outro lado do balcão, como executiva da gigante de tecnologia, ela diz não duvidar de que as empresas têm um papel essencial para incentivar a inovação e a mudança positiva no mundo. “Estou sentada na primeira fileira e sou testemunha do progresso da política ambiental em nosso planeta e nos nossos lucros”, diz.

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Segundo Lisa, a Apple já emitiu US$ 2,5 bilhões em green bonds – um tipo de título de crédito destinado ao financiamento de iniciativas sustentáveis – nos últimos dois anos. Em abril deste ano, a empresa anunciou também que todos os seus escritórios, lojas e data centers no mundo usam energia limpa. A próxima meta é ambiciosa: fazer com que toda a sua cadeia de fornecimento seja alimentada com fontes renováveis de energia. Para isso, diz ela, a empresa pretende investir na geração sustentável de eletricidade na China, tanto na pesquisa de novas soluções como na implementação de usinas.

Outra iniciativa da empresa é a de encontrar modos de produção mais sustentáveis. “A cadeia de alumínio é poluente, e usamos os mesmos métodos há mais de cem anos”, diz Lisa. Nessa área, a Apple fez parcerias com Alcoa e a Rio Tinto, para desenvolver um método de fundição de alumínio que elimina a emissão direta de gases de efeito estufa.

O próximo passo, diz Lisa, é não precisar extrair novos materiais do planeta. Na semana passada, a empresa anunciou o lançamento de seus novos produtos. Entre eles, está um MacBook Air que passa a ser fabricado com alumínio reciclado em seu revestimento. “Temos também dois robôs que desmontam iPhones usados, para retirar os elementos valiosos de dentro deles e reciclá-los”, afirma Lisa, acrescentando que a empresa busca montar uma cadeia para que os clientes possam devolver os aparelhos sem uso.

“Podemos investir no nosso planeta enquanto investimos no negócio”, diz Lisa Jackson. “Para isso, precisamos investir em transformação e inovação”. Segundo ela, é preciso que empresas e governos se unam para lidar com problemas como mudanças climáticas.

Também presente durante a abertura do Web Summit, o cineasta Darren Aronofsky, diretor dos filmes Cisne Negro, Noé e Mãe, concordou. “Proteger o meio ambiente é a principal questão da nossa época. Todos os outros problemas não irão importar, se não tivermos uma casa para morar”, disse.

Educação
Lisa Jackson lembrou ainda que a Apple recentemente fechou uma parceria com a Malala Fund, para financiar a ida de 100 mil meninas às escolas. “Temos muitas perguntas que ainda estão sem resposta, e não conseguiremos encontrá-las sem educação ou sem educar as meninas. Não acharemos as soluções das quais precisamos sem as mulheres”, afirma.
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