‘Pão Nosso’ expõe estrutura corrompida na segurança

As revelações da Operação Pão Nosso — desdobramento da Lava-Jato no Rio —, deflagrada ontem, são mais um argumento incontestável a favor da intervenção federal na segurança do estado. Elas expõem uma estrutura completamente corrompida em órgãos fundamentais da área. Instituições que, ironicamente, deveriam ter como missão o combate à criminalidade.

Um dos principais alvos da ação é o delegado Marcelo Luiz Santos Martins, que chefiava o Departamento Geral de Polícia Especializada. Ele é acusado de prestar consultorias fictícias a empresas envolvidas no esquema de corrupção comandado pelo ex-governador Sérgio Cabral e pelo ex-secretário de Saúde Sérgio Côrtes. Preso ontem, Marcelo Martins, que tinha sob seu comando 21 delegacias especializadas — entre elas a de Roubos e Furtos de Automóveis, a de Homicídios, a de Polícia Fazendária e a Divisão Anti-Sequestro (DAS) —, está sendo investigado por formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e corrupção.

Outra figura proeminente da área de segurança que terá de acertar as contas com a Justiça é o coronel PM Cesar Rubens Monteiro de Carvalho, ex-secretário estadual de Administração Penitenciária. Ele é suspeito de integrar um esquema de propinas na compra de refeições para os mais de 50 mil presos fluminenses. Segundo o Ministério Público Federal, o seu patrimônio aumentou dez vezes no período em que chefiou a secretaria. Ainda de acordo com as investigações, Cesar tinha participação em três empresas, uma delas em sociedade com o delegado Marcelo Martins e seu pai, Carlos Mateus Martins. O que revela as muitas e promissoras conexões da área de segurança.

Cesar já tinha no prontuário uma ação civil pública em que é acusado de superfaturamento e adulteração de documentos de licitação na compra de tornozeleiras eletrônicas, crimes que teriam causado aos cofres públicos um prejuízo estimado em R$ 12 milhões.

À medida que o fio da corrupção vai sendo puxado, outros malfeitos praticados por gestores da área de segurança poderão vir à tona. Não é por outra razão que, desde o início da intervenção, uma das prioridades anunciadas pelo general Braga Netto é o saneamento das polícias. E não poderia mesmo ser de outra forma. Sabe-se que o enfrentamento da violência é tarefa dificílima, pelo ponto a que se deixou chegar, pela dramática situação fiscal do estado etc. Mas, para que se avance, é preciso atacar os desvios na segurança.

Por isso, não se deve esquecer a força-tarefa pedida pelo então ministro da Defesa, Raul Jungmann, hoje na recém-criada pasta de Segurança Pública. Ela seria formada pelo Ministério Público, pela PF e pela Justiça, para combater a corrupção, dar celeridade aos processos e trabalhar junto à inteligência das Forças Armadas. Sem isso, para usar uma expressão repetida com frequência pela polícia, será como enxugar gelo.


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