Palocci: Lula atuou em medida provisória que beneficiou filho


BRASÍLIA – Em depoimento à Justiça Federal na manhã desta quinta-feira, por vídeoconferência, o
ex-ministro da Fazenda Antônio Palocci afirmou que o
ex-presidente Lula atuou na edição de uma Medida Provisória
(MP) que prorrogou benefícios fiscais de montadoras em 2013 para que fosse
repassado dinheiro das empresas para o filho Luis Cláudio.O relato consta no âmbito da ação penal da Operação Zelotes, que aponta a participação de Lula no esquema de venda da medida provisória 471 em favor de montadoras de veículos. Palocci, que fechou acordo de colaboração premiada com a Polícia Federal, disse ter ouvido uma confissão do próprio ex-presidente, em um encontro ocorrido 2014
na sede do Instituto Lula, em São Paulo. Segundo o ex-ministro, a conversa entre ele e Lula aconteceu após um pedido de apoio financeiro feito por Luis Cláudio para ajudar um projeto esportivo dele, entre o
final de 2013 e o início de 2014. O diálogo não teria sido acompanhado por ninguém além dos dois.— Ele (Luis Cláudio) me pediu um apoio, eu não fiz nada porque não pude nos dias seguintes. Fui falar com Lula porque queria ver se ele autorizava. Sempre que alguém pedia em nome do presidente eu consultava. Aí que o ex-presidente me falou: ‘Não precisa atender o Luis Cláudio, porque já resolvi esse problema com o Mauro Marcondes (lobista que atuava para montadoras que foram beneficiadas pela MP)’ — relatou Palocci. Em segredoAinda de acordo com o delator, Luis Cláudio teria pedido entre R$ 2 e R$ 3 milhões. O ex-ministro, teria, então, indagado ao ex-presidente o motivo pelo qual teria sido procurado para o pedido. Segundo Palocci, Lula teria dito que seu filho não sabia da articulação:— O presidente Lula disse: ‘Ele não sabe que eu fiz isso, mas pode esquecer o dinheiro. Já resolvi o problema com o Mauro Marcondes’. Ai ele me contou que foi através da renovação da (MP) 471, que foi através de uma emenda parlamentar na Câmara que renovou os benefícios da Caoa e da Mitsubishi a partir daquele ano, e que ele tinha pedido que o Mauro Marcondes pedisse uma contribuição para as empresas, que essa contribuição seria transferida ao filho dele — seguiu o ex-ministro em seu relato. As investigações da Operação Zelotes identificaram repasse de R$ 2,5 milhões da empresa de consultoria de Marcondes para a LFT Marketing Esportivo, do filho do ex-presidente. Para o MPF, este valor seria a propina paga em decorrência da atuação do ex-presidente para favorecer as montadoras na edição da MP.Palocci relatou ter ficado espantado com a atuação do ex-presidente no caso
específico: – Perguntei por que ele se envolveu nisso, e ele disse: ‘Olha, como se
tratava de meu filho não quis envolver ninguém, e utilizei o Mauro, que ele já
fez isso no processo anterior’ – seguiu Palocci, que lembrou ainda que Lula
tratou do tema com a então presidente Dilma Rousseff. Ele, porém, não disse se
ela tinha conhecimento de qualquer irregularidade.O processo anterior mencionado pelo ex-ministro foi a MP 471, editada em 2009
e que concedeu benefícios fiscais às montadoras Caoa e MMC, ligada à Mitsubishi.
Segundo o ex-ministro, esta MP tramitou com tranquilidade pela Câmara, pois
abrangia estados do nordeste, centro-oeste e norte que seriam beneficiados. Os benefícios constantes nesta MP vieram a ser renovados em 2013 por meio de
uma alteração na MP 627, editada em 2013 e que, segundo Palocci, foi a que teria
tido a atuação do ex-presidente Lula para beneficiar o filho. Ambas as MPs são
investigadas pelo MPF que aponta que as medidas foram aprovadas por meio de um
esquema de compras de medidas provisórias no Congresso que envolveu, dentre
outros, o ex-presidente Lula e o lobista Mauro Marcondes, que representava a
Caoa e a MMC.Palocci, então, foi indagado se o ex-presidente Lula comentou sobre a relação
dele com Mauro e respondeu:- (Lula) Chegou a comentar, disse que tinha confiança no Mauro, que conhecia
desde a época em que ele era sindicalista e o sr Mauro já era atuante no setor
empresarial no setor automobilístico no ABC. (Lula) Tinha uma razoável confiança
nele, porque fiquei um pouco espantado na forma como o ex-presidente interferiu
de uma forma tão explicita (na edição da MP 627) e ele falou para não me
preocupar porque o Mauro era de confiança restrita dele – seguiu o delator.Ele afirmou ainda que não pode provar que as empresas que fizeram repasses a
Mauro Marcondes sabiam que o recurso seria, eventualmente, destinado ao projeto
de Luís Cláudio.
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