Palocci diz que Lula atuou em MP em troca de recursos para filho


BRASÍLIA – Em depoimento à Justiça Federal na manhã desta quinta-feira, o
ex-ministro da Fazenda Antônio Palocci afirmou que o
ex-presidente Lula atuou na edição de uma Medida Provisória
(MP) que prorrogou beneficios fiscais de montadoras em 2013 para que fosse
repassado dinheiro das empresas para seu filho Luis Cláudio.Palocci, que fechou acordo de colaboração premiada com a Polícia Federal,
relatou ter ouvido isso do próprio ex-presidente, em um encontro ocorrido 2014
na sede do Instituto Lula. O ex-ministro disse que foi procurar o ex-presidente
na ocasião após receber um pedido de dinheiro de seu filho Luis Cláudio, entre o
final de 2013 e o início de 2014, para ajudar a financiar um projeto esportivo
dele para o ano de 2014.- Ele (Luis Cláudio) me pediu um apoio, eu não fiz nada porque não pude nos
dias seguintes, e fui falar com Lula porque queria ver se ele autorizava. Sempre
que alguém pedia em nome do presidente eu consultava. Ai que ele falou: ‘não
precisa atender o Luis Cláudio, porque já resolvi esse problema com o Mauro
(Marcondes, lobista que atuava para montadoras que foram beneficiadas pela MP)-
relatou Palocci, que disse ainda que ninguém mais participou da conversa.
Segundo o delator, Luis Cláudio teria lhe pedido ajuda financeira da ordem de R$
2 a R$ 3 milhões.O ex-ministro, teria, então, indagado ao ex-presidente por que não deveria
comentar a situação com Luis Cláudio. Segundo Palocci, Lula teria dito que seu
filho não sabia da articulação para conseguir os recursos.Palocci relatou ter ficado espantado com a atuação do ex-presidente no caso
específico:- Perguntei por que ele se envolveu nisso, e ele disse: ‘Olha, como se
tratava de meu filho não quis envolver ninguém, e utilizei o Mauro, que ele ja
fez isso no processo anterior’ – seguiu Palocci, que lembrou ainda que Lula
tratou do tema com a então presidente Dilma Rousseff. Ele, porém, não disse se
ela tinha conhecimento de qualquer irregularidade.O processo anterior mencionado pelo ex-ministro foi a MP 471, editada em 2009
e que concedeu benefícios fiscais às montadoras Caoa e MMC, ligada à Mitsubishi.
Segundo o ex-ministro, esta MP tramitou com tranquilidade pela Câmara, pois
abrangia estados do nordeste, centro-oeste e norte que seriam beneficiados. Os benefícios constantes nesta MP vieram a ser renovados em 2013 por meio de
uma alteração na MP 627, editada em 2013 e que, segundo Palocci, foi a que teria
tido a atuação do ex-presidente Lula para beneficiar o filho. Ambas as MPs são
investigadas pelo MPF que aponta que as medidas foram aprovadas por meio de um
esquema de compras de medidas provisórias no Congresso que envolveu, dentre
outros, o ex-presidente Lula e o lobista Mauro Marcondes, que representava a
Caoa e a MMC.Palocci, então, foi indagado se o ex-presidente Lula comentou sobre a relação
dele com Mauro e respondeu:- (Lula) Chegou a comentar, disse que tinha confiança no Mauro, que conhecia
desde a época em que ele era sindicalista e o sr Mauro já era atuante no setor
empresarial no setor automobilístico no ABC. (Lula) Tinha uma razoável confiança
nele, porque fiquei um pouco espantado na forma como o ex-presidente interferiu
de uma forma tão explicita (na edição da MP 627) e ele falou para não me
preocupar porque o Mauro era de confiança restrita dele – seguiu o delator.Ele afirmou ainda que não pode provar que as empresas que fizeram repasses a
Mauro Marcondes sabiam que o recurso seria, eventualmente, destinado ao projeto
de Luís Cláudio.O ex-ministro da Fazenda depôs nesta manhã no âmbito da ação penal da
Operação Zelotes que aponta que o ex-presidente Lula teria participado de um
esquema de venda da MP 471, que favoreceu montadoras de veículos.
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