Pais do menino ‘mais feliz do mundo’ adotam outras três crianças: ‘A nossa casa está cheia de vida’

Menino que escreveu redação dizendo que era a ‘criança mais feliz do mundo’ por ter encontrado uma família, ganhou mais três irmãos. João foi adotado em 2016 e depois a família cresceu com a chegada dos três irmãos
Fernando Polidoro/Arquivo Pessoal
Na casa de Fernando Luiz Polidoro e Marcelo Pereira, que moram na Região Metropolitana de São Paulo, o conceito de família que eles pregam para os filhos é bem simples: família é onde tem amor e carinho. Juntos há nove anos, o casal vai comemorar o Dia dos Pais em dose quádrupla. Eles já tinham adotado um menino e agora a família conta com mais três crianças.
João Vitor, de 12 anos, foi o primeiro filho a chegar à família, em 2016. O menino morava em um orfanato por ter sofrido rejeição da família biológica. A história ficou conhecida em todo o Brasil por causa de uma redação que João fez na escola, dizendo que era a ‘criança mais feliz do mundo’ por ter encontrado uma família.
Dia dos Pais em dose dupla: Fernando diz que filhos já aprenderam que família é quem dá amor
Fernando Polidoro/Arquivo Pessoal
Apesar da casa ter ganhado a alegria de uma criança, Fernando e Marcelo ainda não se sentiam completos e continuaram no Cadastro Nacional de Adoção (CNA). A intenção do casal era adotar apenas mais uma ou duas crianças, mas, ao conhecerem os irmãos Anna Chiara, Cristopher Anderson e Kemilly Vitória, eles “se encantaram.”
“O Fórum nos ligou e disse que um trio de irmãos seria separado porque estava difícil a adoção. Eles moravam no abrigo há mais de quatro anos. Ficamos assustados porque era muita criança, mas fomos conhecer sem compromisso. Nós nos encantamos por eles e começamos as visitas e o processo da guarda”, conta Fernando.
Abraço coletivo: casal optou pela adoção tardia e afirma que a rotina é uma maratona, mas que a casa ficou cheia de vida
Fernando Polidoro/Arquivo Pessoal
Na época, Anna Chiara tinha apenas 4 anos e tinha sido encaminhada para o abrigo ainda bebê. Seus irmãos, Cristopher Anderson e Kemilly Vitória tinham, respectivamente, 6 e 8 anos.
A aproximação foi aos poucos: visitas em dias alternados, depois, autorização para que as crianças passassem os finais de semana com o casal até a guarda. “Aos finais de semana, a hora de ir embora era um sofrimento porque eles queriam continuar com a gente. Eles eram bem agitados. A pequena não tinha noção de família e sociedade”, relembra Fernando.
Hoje o casal está na parte final do processo de adoção, mas já sente a alegria da casa cheia, em meio à bagunça de brinquedos espalhados.
“Nós viramos maratonistas porque a nossa vida é bem corrida, não temos tempo para quase nada, mas a nossa casa está cheia de vida”, diz o pai.
Além da rotina de tomar café da manhã juntos, ajudá-los na lição de casa, dar almoço, trocar as roupas e levar as crianças para a escola, as datas do calendário também ganharam um novo significado para a família. Aniversários, festas juninas e Natal são pensados agora nos filhos.
Preconceito
O casal diz que todos levam uma vida normal e o fato de as crianças terem sido adotadas por um casal homoafetivo não é problema para as amizades dos filhos na escola.
“Em relação a isso, eles estão super bem. Criança não tem noção de sexualidade. Isso é coisa de adulto. Coisa que adulto coloca na cabeça da criança. Para eles, o importante é quem está dando amor e carinho. Família para eles é isso: quem dá amor e carinho.”
João chegou a morar na rua após ser abandonado pelos parentes biológicos
Arquivo pessoal
“Adoção não é caridade”
O Cadastro Nacional de Adoção foi criado há dez anos com o objetivo de facilitar o processo de adoção. Desde então, mais de 9 mil crianças e adolescentes já encontraram um lar, segundo o Conselho Nacional de Justiça.
O número de interessados em adotar é muito maior que o de crianças e adolescentes à espera de um lar. O problema é que a grande maioria busca por bebês e crianças pequenas. Até mesmo a cor da pele acaba ainda sendo uma barreira para a adoção.
Entre quem está na fila da adoção, apenas 20% aceitam crianças com mais de 5 anos, segundo o CNA de 2017.
“Fomos atrás das informações e conhecemos a verdadeira história dos abrigos: a maioria de quem está na fila esperando para adotar não aceita crianças maiores. Conhecemos casais que fizeram a adoção tardia e optamos por ela também. Traçamos um perfil de até 8 anos, mas nos apegamos ao João que, na época, tinha 10 anos. Adoção não é caridade”, avalia Fernando.
Adoção no Brasil: em 10 anos, 9 mil processos concretizados
Betta Jaworski/G1
Como adotar?
Para adotar uma criança, é preciso ter no mínimo 18 anos. Não importa o estado civil, mas é necessária uma diferença de 16 anos entre quem deseja adotar e a criança acolhida.
O primeiro passo é ir à Vara da Infância mais próxima e se inscrever como candidato. Além de RG e comprovante de residência, outros documentos são necessários para dar continuidade ao processo. É preciso fazer uma petição e um curso de preparação psicossocial.
São realizadas, então, entrevistas com uma equipe técnica formada por psicólogos e assistentes sociais e visitas. Após entrar na fila de adoção, é necessário aguardar uma criança com o perfil desejado no cadastro.
Cartilhas e grupos de apoio podem ser consultados para esclarecer dúvidas e saber um pouco mais sobre o ato. O passo-a-passo pode ser verificado no site do CNJ.
Mais de 8 mil crianças aguardam uma família nos abrigos pelo país
Caio Kenji/G1
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