Ossos são encontrados em prédio da embaixada do Vaticano em Roma


ROMA – As autoridades italianas estão investigando ossos encontrados durante as obras em um prédio da Embaixada da Santa Sé em Roma, nesta terça-feira. De acordo com os primeiros relatos, ainda não há como saber ao certo de quando esses vestígios datam e se dizem respeito a apenas uma pessoa. A expectativa do Ministério Público de Roma é de que os restos mortais possam ser compatíveis com o DNA de Mirella Gregori ou de Emanuela Orlandi, duas adolescentes desaparecidas no Vaticano há mais de 30 anos.

As investigações apuram um homicídio e ocorrem em colaboração com o judiciário italiano. A equipe analisa partes de crânio e dentes para tentar descobrir a identidade.

Emanuela Orlandi era uma adolescente de 15 anos com cidadania vaticana quando desapareceu no dia 22 de junho de 1983. Ela era filha de um funcionário da Prefeitura da Casa Pontifícia e residia dentro dos muros do Vaticano. Até hoje o caso permanece sem solução.

No ano passado, a família de Orlandi pediu uma audiência com o secretário de Estado da Santa Sé, Pietro Parolin, para cobrar o acesso a eventuais documentos secretos sobre o crime. O pedido foi feito por Pietro Orlandi, irmão de Emanuela, motivado por rumores de que havia um “dossiê” sobre o desaparecimento e as investigações subsequentes.

O caso é um dos mais emblemáticos e misteriosos da Justiça da Itália e já deu combustível a diversas teorias da conspiração, principalmente por envolver a filha de um funcionário da Igreja Católica. Além disso, foi tema de um filme de Roberto Faenza lançado em 2016, “A verdade está no céu”.

Mirella Gregori, por sua vez, desapareceu misteriosamente de Roma em maio de 1983, cerca de 40 dias antes do sumiço de Emanuela. Ela tinha 15 anos na época.

Os dois casos foram relacionados na imprensa aos Lobos Cinzentos, um grupo extremista turco. Expeculavam na ocasião que as jovens poderiam ter sido sequestradas visando uma troca pela libertação de Mehmet Ali Agca, o homem que disparou contra o Papa João Paulo II em 13 de maio de 1981.


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