Os labirintos da Venezuela

A Venezuela era um dos países mais ricos do hemisfério, uma das democracias mais consolidadas do continente no rumo ao desenvolvimento. Até que entrou num labirinto de autodestruição, com a chegada do populismo esquerdista em 1999.

Mais de quatro milhões de venezuelanos já emigraram do país e continuam saindo todos os dias, mesmo andando pelas fronteiras vizinhas. Milhares fogem da fome e da miséria. Não há aspirina, muito menos drogas para quimioterapia, não se consegue pão ou gás para cozinhar, nem papel higiênico ou autopeças. Isso é sequela de uma política nefasta e deliberada de caos e fome como mecanismos de controle. Num tipo de “Holodomor do Caribe”, centenas de crianças morrem de desnutrição, enquanto os governos Chávez-Maduro desperdiçaram dos cofres do país o equivalente a mais de US$ 400 bilhões.

A Venezuela caminha no labirinto do caos humanitário. Milhares de cidadãos morrem, o país virou um grande campo de concentração. Milhões perderam suas propriedades, empregos, estudos, qualificações e vagam numa diáspora pelo mundo, com esperança de retornar a uma terra natal livre e em paz.

A Venezuela caminha no labirinto econômico. Chávez e Maduro arruinaram, por má gestão e corrupção, não só a empresa Petróleos de Venezuela (PDVSA), chave fundamental num país monoprodutor — mas um regime de expropriações descontroladas acabou com quase toda a indústria nacional. Controlando o acesso às divisas e destinando-as a seus camaradas, controlando preços dos produtos básicos, desvalorizando a moeda em níveis insuspeitos, sob uma hiperinflação que faz inveja ao Brasil nos 1990.

A Venezuela caminha no labirinto eleitoral. Chávez e Maduro se enraizaram no exercício do poder despótica e ditatorialmente. Através da obtenção de resultados inescrutáveis e opacos, disfarçados de um suposto apoio popular. Sempre blindados pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE), submisso ao regime desde a sua relegitimação após o processo constituinte convocado por Chávez. No exílio, o opositor António Ledezma descreve: “Se você é um perigo eleitoral, é inabilitado; se você ganha, fazem fraude; se ganha espaço político, tiram a sua verba; e se você se abstiver, eliminam seu partido…”

A Venezuela caminha no labirinto do autoritarismo. Muitos venezuelanos têm dado suas vidas para sair do regime de terror. O resultado: opositores presos, torturados, mortos ou, na melhor das hipóteses, exilados. Cada dia que passa, o caos é agudizado, enquanto o regime é mais repressivo. Oscar Pérez — ex-policial militar, que executou várias ações sem morte ou feridos contra o regime — foi assassinado na presença dos moradores (inclusive crianças) da casa onde se escondia, apesar de ter se rendido.

É hora de a comunidade internacional, organizações não governamentais, países vizinhos se posicionarem. Permitir este genocídio pós-moderno caribenho é conivência. Ações internacionais podem ajudar a Venezuela a sair desse labirinto onde se perde.

Ramón Mogollón-Trujillo, jornalista, e Iván León-Trujillo, arquiteto, são emigrantes venezuelanos


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