Organizações de direitos humanos reagem à indicação de pastora para ministério


RIO – O anúncio de que a pastora Damares Alves comandará o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos gerou reação nos setores ligados aos direitos da mulher e dos LGBTI+. As organizações afirmam que vão reforçar a vigilância sobre as medidas da pasta para assegurar a garantia de direitos adquiridos por essas populações, que podem ser colocados em risco devido ao perfil conservador da escolhida por Jair Bolsonaro.A pastora é conhecida por ter posições contrárias a causas que têm mobilizado mulheres no Brasil, como a descriminalização do aborto. Damares causou polêmica ao afirmar que mulheres “nasceram para ser mães” e que, em um modelo ideal de sociedade, elas deveriam poder ficar em casa e serem sustentadas pelos maridos.— Nos debates na Câmara, ela (Damares) sempre esteve do lado oposto ao dos direitos das mulheres. Vamos agir para garantir que não haja retrocessos na área. Vamos reforçar a vigilância — afirmou Milena Argenta, assessora do Centro Feminista de Estudos e Assessorias (Cfemea).Para o diretor da Aliança Nacional LGBTI, Toni Reis, ainda que a pastora tenha posições conservadoras, uma análise melhor sobre a escolha só será possível quando ela se sentar na cadeira de ministra.— É uma pessoa que pensa diferente do movimento LGBTI+. Ela tem uma concepção de família diferente da que nós temos, mas agora não estamos lidando mais com a pastora Damares e, sim, com a ministra. Nosso estado é laico, então vamos cobrar essa laicidade. Teremos divergências? Sim. Mas estamos abertos a discutir, porque não queremos nenhum retrocesso — disse ele. Leia mais sobre direitos humanos Enéias
da Rosa, secretário-executivo
da
Articulação para o Monitoramento dos Direitos Humanos no Brasil, afirmou que a indicação da futura ministra se alinha aos discursos conservadores que o governo Bolsonaro vem fazendo em áreas sensíveis como meio ambiente e direitos indígenas.— A ministra afirmou que dará atenção prioritária
à defesa dos direitos das mulheres e que terá um
cuidado especial com a infância, o que é uma sinalização
importante na agenda de direitos humanos do país. Por outro
lado, ela traz o discurso de uma agenda conservadora, de levar
adiante esse debate da escola sem partido, de uma visão de família que não acolhe a concepção conteporânea, mais inclusiva.Rosa afirmou que a indicação de Damares soma-se a duas outras que também preocupam pelo conservadorismo: a dos futuros ministros da Educação e das Relações Exteriores. Ele celebrou, no entanto, a manutenção da pasta voltada aos direitos humanos, já que sua extinção chegou a ser cogitada pelo presidente eleito. — Há
uma série de questões que ainda não estão muito claras. As organizações de direitos humanos esperam que muito disso seja
retórico, que, diante de
uma reação mais forte da sociedade, haja um recuo ou ao menos uma
disposição para dialogar com o contraditório.
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