O Brasil em direção à Ásia

Inicio hoje viagem à Ásia para reafirmar o engajamento do Brasil com países que, em seu conjunto, compõem um novo e dinâmico eixo da economia mundial: China, Coreia do Sul, Indonésia, Japão, Cingapura, Tailândia e Vietnã. Direi a meus interlocutores que, superada a mais grave crise de sua história, graças às reformas adotadas pelo presidente Temer, o Brasil está de volta aos trilhos e determinado a defender seus interesses no plano internacional. Serei claro em expressar a convicção do governo e do setor privado brasileiro de que o crescimento das economias nacionais passa não pelo recrudescimento de impulsos protecionistas, mas pela cooperação internacional e o adensamento continuado dos vínculos econômicos e comerciais entre países e blocos.

Os dez países do Sudeste Asiático — incluindo quatro que visitarei (Cingapura, Indonésia, Tailândia e Vietnã) — encontram-se reunidos na Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean). Trata-se de mercado com população de aproximadamente 630 milhões de pessoas, taxa de crescimento média de 5% ao longo da última década e potencial para tornar-se o quarto maior mercado do mundo em 2030. Se tomarmos a Ásia-Pacífico como um todo, os números são ainda mais impressionantes: a classe média da região saltará de 525 milhões de pessoas em 2009 para 3,3 bilhões em 2030.

O centro de gravidade da economia global tem-se deslocado em direção à Ásia. O Brasil já despertou para isso, e nossa política externa busca reforçar os laços com a região. Ao encontrar-me com líderes políticos, empresários e formadores de opinião em cada um desses países, apresentarei um Brasil que retomou sua trajetória de crescimento, goza de indicadores estáveis para atrair investimentos e ampliar o comércio e valoriza parcerias que possam contribuir para uma maior inserção do país nas cadeias globais de valor, em particular as intensivas em conhecimento.

Vou à Ásia em busca de resultados concretos. Em Xangai, firmarei acordo para o estabelecimento, em São Paulo, do escritório regional para as Américas do Novo Banco de Desenvolvimento do Brics. Em Seul, estarei ao lado de meus colegas do Mercosul para abrir oficialmente as tratativas do bloco com a Coreia do Sul. Reforçarei, também, os entendimentos com o governo de Cingapura com vistas a um acordo comercial entre o Mercosul e aquele país. Em Pequim, aprofundarei com nossos embaixadores na Ásia exercício de coordenação iniciado no ano passado. A visita a Tóquio reveste-se de importância simbólica particular, em função das comemorações dos 110 anos do início da imigração japonesa no Brasil.

Além de buscar abrir mercados para produtos e serviços brasileiros, a aproximação com os países da Asean e outros países da Ásia favorece a internacionalização de empresas brasileiras. Várias empresas nacionais — grandes, médias, pequenas e até start-ups — têm presença em países que visitarei, beneficiando-se do ambiente de negócios e do ecossistema de inovação asiáticos para ganhar competitividade em terceiros mercados.

Com base em um diagnóstico das consequências de longo prazo da ascensão da Ásia para nossos interesses, estamos consolidando uma abrangente estratégia de ação para a região de modo a bem situar o Brasil na nova configuração internacional de poder. A viagem à Ásia é expressão de uma política externa que contribui para a expansão sustentada da economia brasileira, promovendo o comércio internacional, atraindo investidores e estimulando a internacionalização das empresas nacionais. Estamos no caminho certo e nele vamos prosseguir.

Aloysio Nunes Ferreira é ministro das Relações Exteriores


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