Novo paradigma

O Rio foi a primeira cidade do mundo a receber da Unesco o título de paisagem cultural urbana. Agora, pode se tornar a primeira “Capital Mundial da Arquitetura”. Isso representará um olhar mundial sobre nosso patrimônio arquitetônico e experiência no campo da habitação popular. A defesa dessa honraria acontecerá de hoje a sábado, no México. A indicação está atrelada ao 27º Congresso Internacional de Arquitetura, que vamos sediar em 2020. A expectativa é que mais de 15 mil arquitetos e urbanistas dos quatro cantos do planeta venham discutir os rumos da arquitetura no século XXI.

A cidade já se especializou em sediar grandes eventos. E, se há algo que a experiência nos ensina, é que, mais do que causar uma boa impressão aos visitantes, é fundamental que se deixe um legado permanente para os cariocas. Eventos como este são capazes de mudar os paradigmas do planejamento urbano e da arquitetura de uma cidade.

Alguns exemplos são fáceis de lembrar. A cidade passou recentemente por obras para a Copa e as Olimpíadas. Mas estes não foram os primeiros casos em que transformações urbanísticas aconteceram em decorrência de um grande evento internacional.

Em 1908, o Rio sediou a Exposição Nacional Comemorativa do 1º Centenário da Abertura dos Portos do Brasil. Além de celebrar o comércio e o desenvolvimento do país, o objetivo era apresentar a nova capital da República, urbanizada pelo prefeito Pereira Passos, às autoridades nacionais e estrangeiras. A cidade ganhou edifícios emblemáticos, como o Pavilhão dos Estados, que hoje abriga a Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais. O evento foi decisivo para o desenvolvimento da Urca e a expansão de bairros cariocas sobre a orla atlântica.

Em 1922, voltamos a receber o mundo na Exposição Internacional do Centenário da Independência, a maior já realizada no Brasil. O Morro do Castelo, visto como um empecilho para o desenvolvimento do Centro, foi demolido para dar lugar à construção dos pavilhões e palácios nacionais e estrangeiros. Na ocasião foram construídos prédios que hoje são símbolos arquitetônicos da cidade, como o do Museu da Imagem e do Som e o do Museu Histórico Nacional.

Em 1950, o Maracanã é construído para a Copa, e novamente o planeta se volta para nós. Mas o legado pode ser mais do que material. Um exemplo aconteceu com a RIO-92, onde a ecologia ganha atenção. O protagonismo do Parque do Flamengo no Fórum Global realça os componentes da ecologia urbana e da sustentabilidade. O uso da bicicleta é incentivado, e o resultado é a criação das primeiras ciclovias. Essa pequena transformação nos leva a sediar, em junho, o Velocity — um dos maiores eventos de mobilidade urbana e bike do planeta.

Acredito que o Congresso de 2020 trará mudança de paradigma. Uma que enxergue as questões que envolvam a arquitetura e o urbanismo na construção de uma cidade sustentável e inclusiva. Precisamos de novos debates, novos pontos de vista, novas ideias. Para isso servem os congressos. É neste ciclo que a cidade é capaz de se transformar da maneira que queremos e precisamos.

Verena Andreatta é secretária municipal de Urbanismo, Infraestrutura e Habitação do Rio


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