'Não quero orações, quero controle de armas', diz mãe que perdeu em ataque filho sobrevivente de outro massacre


THOUSAND OAKS — Quando um atirador abriu fogo do alto de um hotel-cassino contra a plateia de um festival country de Las Vegas, no ano passado, Telemachus Orfanos, de alguma forma, conseguiu escapar. Nesta quinta-feira, um ex-fuzileiro naval disparou contra frequentadores de uma festa do mesmo estilo musical em Thousand Oaks. Orfanos não voltou mais para casa. A mãe do americano de 27 anos confirmou a perda à mídia americana. Susan Orfanos diz não querer orações. Ela quer controle de armas nos Estados Unidos.

“Meu filho estava em Las Vegas com vários amigos, e ele voltou para casa. Ele não voltou na noite passada, e eu não quero orações. Eu não quero pensamentos (de solidariedade). Eu quero controle de armas, e eu peço a Deus que ninguém me mande mais orações. Eu quero controle de armas”, destacou Susan à rede “ABC News”. Ataque Cali 09-11

Ao “New York Times”, ela repetiu o apelo “para que ninguém mais precise passar” por uma tragédia do tipo. David Long, um ex-fuzileiro naval de 28 anos, matou 12 pessoas no bar Borderline, na cidade da Califórnia, e se suicidou em seguida. Segundo as autoridades, o atirador portava uma só arma, uma Glock 21, comprada legalmente.

Música country e cerveja animavam a noite no bar, que recebia um evento universitário na madrugada de quinta-feira. O jogo dos Los Angeles Lakers passava na televisão. Alguns dos presentes, fãs do estilo musical, haviam sobrevivido ao ataque armado de Stephen Paddock, que se matou depois de perpetrar o maior massacre a tiros da História moderna do país. Eles haviam presenciado a cena de caos, que deixou 58 mortos na cidade de Nevada, e encontrado seu nicho nas atrações do Borderline. Parte do grupo, a partir de quinta-feira, passou a ser sobrevivente de duas tragédias do tipo.

“É a segunda vez em um ano e meio que isso acontece. Eu estava no (festival country) Las Vegas Route 91 como provavelmente 50 ou 60 pessoas que estavam no estabelecimento (Borderline), como eu, esta noite”, destacou o personal trainer Nicholas Champion, que postou uma foto no grupo de sobreviventes de Vegas no Borderline, em abril.79765808_This handout video grab obtained on November 8 2018 courtesy of Jeremy Childs twitter a.jpg

Com roupas escuras e boné de baseball, David Long lançou bombas de fumaça para criar confusão no bar, disparou contra um guarda na entrada e então abriu fogo com alvos aleatórios na multidão. Frequentadores se jogaram ao chão, se esconderam atrás de mesas, nos banheiros, correram para saídas. Tropeçaram sobre corpos espalhados pelo chão. O policial Ron Helus foi um dos primeiros a atender o chamado de emergência. Enquanto tentava deter o atirador, foi baleado e não resistiu aos ferimentos no hospital. Antes de ir ao local, o agente falava com a mulher, Karen, com quem vivia há 29 anos.

“Preciso atender um chamado. Eu te amo. Falo com você mais tarde”, ressaltou à companheira o policial, que não voltou mais para casa.

Long foi encontrado morto na cena do crime. Os investigadores ainda apuram a motivação do ex-fuzileiro naval, que havia servido no Afeganistão. Em abril, policiais responderam a um chamado na casa do americano. Especialistas em saúde mental conversaram com ele sobre o serviço militar depois de suspeitarem que poderia ser vítima de estresse pós-traumático. Ao fim da sessão, a equipe decidiu que Long não era um perigo para si mesmo nem para os outros, e registraram que não poderiam forçá-lo a procurar tratamento.


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