MP vai apurar compra de cartilhas que comparam crianças gordas a botijão em São José


Desde 2013 material é adquirido pela prefeitura. Promotoria quer saber quem aprovou uso do conteúdo nas escolas e aquisição do produto. Após polêmica, governo informou que vai suspender a distribuição do material. Em cartilha distribuída pela prefeitura, personagem gordo se associa a botijão
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A promotoria de São José dos Campos (SP) vai investigar a compra de uma cartilha distribuída a alunos de uma escola municipal – a publicação compara crianças gordas a um ‘botijão’. O material gerou polêmica depois que os pais consideraram a abordagem do tema obesidade infantil preconceituosa e agressiva. A prefeitura informou que suspendeu a distribuição das cartilhas. A última compra de cartilha ocorreu em 2017, ao custo de R$ 18,9 mil.
‘A Fantástica Mágica dos Alimentos – informações para uma alimentação saudável’ foi entregue para os alunos do 4º ano da escola Maria Melo, no Parque Industrial, na última sexta-feira (13). O material fazia parte de um projeto multidisciplinar que trata sobre alimentação saudável e combate ao sedentarismo.
No quadrinho, a personagem Alice tem um pesadelo, em que está em um mundo rodeada pelas tentações das guloseimas e, quando engorda, tenta fugir. Na história em quadrinhos, ao se ver no espelho, Alice, não se reconhece e o espelho pede que ela ‘não se assuste’ com a imagem refletida. Ao tentar correr, ela ainda questiona se, por estar gorda, vai conseguir passa pela porta. Para os pais, a abordagem favorece o bullyng contra crianças acima do peso. Especialistas consultados pelo G1 concordam que a forma como o assunto foi tratado éi inadequada.
Os pais questionaram a abordagem do material, alegando que poderia gerar episódios de bullying e preconceito. Especialistas consultados pelo G1 também questionaram a abordagem, alegando que a cartilha fazia a associação de saudável com o corpo magro, criando um padrão estético para a saúde.
De acordo com o promotor da Vara da Infância, Fausto Junqueira, a abordagem do material é questionável e a promotoria quer saber quando e que profissionais fizeram a avaliação técnica para a aquisição do material. Fausto explica que para a compra de materiais é necessária a avaliação de comissão técnica multidisciplinar.
“Precisava ter sido avaliado por pessoas que são técnicas no assunto e queremos saber se isso aconteceu. O material é impróprio para uso dentro da sala de aula e queremos entender quem entendeu que ele adequado. O investimento de dinheiro público em qualquer material para a educação precisa obedecer a critérios mínimos e a prefeitura é responsável por isso”, explicou Fausto.
Menina diz que não consegue passar na porta por estar gorda
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Cartilhas da empresa Amigos da Natureza, autora do material, vem sendo sucessivamente adquiridas pela administração municipal desde 2013, na gestão do ex-prefeito Carlinhos Almeida (PT). O partido nega uso da publicação e diz que a avaliação pedagógica é anterior ao governo de Almeida. (leia mais abaixo)
Foram investidos cerca de R$ 60 mil com a compra de publicações da Editora Amigos. A empresa tem sede no Paraná. Todas as compras foram feitas com dispensa de licitação.
Em 2017, já na gestão Felício Ramuth (PSDB), foram investidos R$ 18,9 mil nas cartilhas. A Secretaria da Educação do governo tucano diz que a confecção da cartilha ocorreu no governo do antecessor.
O promotor da Vara da Infância informou também que pretende ingressar com outra ação para apurar a legalidade da compra. “Se for comprovado que não houve critério técnico, esse investimento está errado, foi verba pública injetada em algo que não poderia ter sido adquirido ou distribuído. Isso configura improbidade”, disse Junqueira. Ele disse que a responsabilidade vai ser investigada.
Outro lado
A assessoria de imprensa do ex-prefeito informou em nota que “a distribuição desta cartilha em escolas municipais nunca foi feita e nem mesmo avaliada durante o governo Carlinhos, até por não respeitar a política pedagógica adotada”. A gestão passada disse também que ‘ao que tudo indica’ o pedido partiu do setor de compras da Saúde, responsável por avaliar o material, em 2012. O processo para aquisição, pela primeira vez, ocorreu em 2013.
O G1 acionou a Secretaria da Educação e de Saúde do atual governo, por volta das 13h30 desta terça (17), e esperava a resposta até a publicação da reportagem.
Alexandre Carlos, dono da Editora Amigos da Natureza, disse apenas, por telefone, que a obra foi mal interpretada e que tentou entrar ‘dentro do imaginário da criança’ para mostrar a crueldade que é a obesidade infantil.
Cartilha distribuída pela prefeitura aos alunos em São José é vendida por editora na web
Reprodução/Editora Amigos
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