MP altera denúncia do caso Tatiane Spitzner na tentativa de aumentar pena de marido


O marido dela, Luis Felipe Manvailer, está preso e é réu pela morte da mulher; o aditamento, aceito pela Justiça nesta quinta-feira (27), diz que houve ‘intenso sofrimento físico e psíquico’. MP altera denúncia do caso Tatiane Spitzner na tentativa de aumentar pena de marido
O Ministério Público do Paraná (MP-PR) alterou a denúncia contra o biológo Luís Felipe Mainvailer, de 32 anos, que é réu pela morte da esposa Tatiane Spitzner, em Guarapuava, na região central do Paraná, na tentativa de aumentar a pena com base no resultado do exame de necropsia.
Na complementação da denúncia, concluída na terça-feira (25), a promotoria incluiu a qualificadora meio cruel ao crime de homicídio devido ao “intenso sofrimento físico e psíquico” da vítima, que, segundo o laudo, foi morta por asfixia mecânica causada por esganadura e com sinais de crueldade.
As outras qualificadoras não foram alteradas (veja mais abaixo). O aditamento à denúncia foi aceito pela Justiça nesta quinta-feira (27). A juíza Paola Gonçalves Mancini deu novo prazo, de 10 dias, para manifestação da defesa do réu. A primeira denúncia foi aceita em 8 de agosto.
O que se sabe do caso de Tatiane Spitzner
De acordo com o promotor Pedro Henrique Brazão Papaiz, com o laudo fica caracterizado o uso de meio cruel no crime. “A importância prática da qualificadora é que se for reconhecida acarreta em aumento de pena”, explica.
Segundo ele, os peritos apontaram a existência de 25 lesões externas no corpo da vítima. “Demonstra que as agressões não se limitaram àquelas captadas pelo sistema de segurança. Continuaram no apartamento”, afirma.
O resultado do laudo foi divulgado pelo Instituto Médico-Legal (IML) em 20 de setembro. O corpo da vítima foi encontrado em 22 de julho dentro do apartamento onde ela morava com o marido. Manvailer foi preso no mesmo dia, a mais de 300 km da cidade. Ele nega as acusações.
Imagens mostram agressões de marido a advogada Tatiane Spitzner
A reportagem entrou em contato com a defesa do réu e aguarda retorno.
Para a defesa da família de Tatiane, o “aditamento à denúncia reflete a grande eficiência e qualidade do trabalho científico do IML e dá ao acusado uma chance de confessar os crimes que praticou”.
Os crimes
Cárcere privado: O marido “impediu, mediante violência, que a ofendida se afastasse do denunciado, por pelo menos três vezes, constrangendo-a a deixar a garagem do edifício em sua companhia, a permanecer dentro do elevador e a ingressar no apartamento em que residiam, restringindo a liberdade de locomoção da vítima”, segundo os promotores.
Fraude processual: Manvailer agiu dolosamente, “ciente da ilicitude e reprovabilidade de sua conduta, inovou artificiosamente, visando produzir efeito em processo penal ainda não iniciado, o estado de lugar e de coisas, com o fim de induzir a erro o juiz ou o perito, mediante a remoção do corpo da vítima Tatiane Spitzner do local da queda e limpeza de vestígios de sangue, conforme imagens do circuito interno de câmeras”, disse o MP.
Homicídio qualificado
Meio cruel e asfixia mecânica: praticar o delito mediante esganadura e com intenso sofrimento físico e psíquico;
Dificultar defesa da vítima: em razão da sua superioridade física e das agressões contínuas e progressivas que inibiram a possibilidade de reação;
Motivo torpe: desentendimento ocorrido em virtude de mensagens em redes sociais;
Feminicídio: assassinato contra a mulher por razões da condição de sexo feminino.
IML concluiu que advogada Tatiane Spitzner morreu por asfixia
Reprodução/JN
Relembre o caso
Tatiane morreu na madrugada do dia 22 de julho, no Centro de Guarapuava. Conforme o Ministério Público do Paraná (MP-PR) Luis Felipe matou a mulher, a jogou pela sacada e, em seguida, recolheu o corpo de Tatiane e o levou de volta para o apartamento.
Uma testemunha relatou que, logo depois da queda, viu o marido recolhendo o corpo e ouviu ele gritando: “Meu amor, acorda”.
O marido foi preso após sofrer um acidente de carro na BR-277, em São Miguel do Iguaçu, a 340 quilômetros de Guarapuava. Ele disse que se acidentou porque a imagem da esposa pulando a sacada não saía da cabeça dele.
O casal estava junto havia cinco anos e era “feliz”, de acordo com a defesa do marido. O Ministério Público (MP-PR), porém, diz que Tatiane vivia um relacionamento abusivo.
Familiares e amigos relataram que ela queria pedir o divórcio. Para a polícia, eles disseram que Luis Felipe costumava chamar Tatiane de apelidos pejorativos e que a proibia de contratar uma diarista para ajudar nas tarefas domésticas.
Uma amiga da advogada, Rosenilda Bielack, que conviveu com o casal na Alemanha, contou que a advogada era maltratada constantemente pelo marido, que é faixa roxa no jiu-jítsu. “Tudo era motivo para ele maltratar a Tati, falar coisas pesadas, pejorativas sempre”, afirmou.
Conversas por WhatsApp de Tatiane com Rosenilda mostram como estava a relação dela com o marido. Nas mensagens, entre março e junho deste ano, a advogada relatou sentir “medo” e disse que o marido tinha “ódio mortal” por ela.
Uma perícia feita no local da morte já tinha constatado que ela teve uma fratura no pescoço, característica de quem sofreu esganadura.
Luis Felipe é réu em um processo na 2ª Vara Criminal de Guarapuava. Ele responde pelos crimes de homicídio com quatro qualificadoras (meio cruel, dificultar defesa da vítima, motivo torpe e feminicídio), cárcere privado e fraude processual.
A defesa de Luis Felipe Manvailer pediu por duas vezes a suspensão do processo. Os advogados alegaram impossibilidade de apresentar uma resposta à acusação porque, na denúncia, a promotoria não deixava claro quando, onde, e como Tatiane Spitzner morreu.
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