Morte de soldados venezuelanos na fronteira aumenta tensão com Colômbia


CARACAS — A tensão nas já estremecidas relações entre Venezuela e Colômbia aumentou desde que, no domingo, um grupo armado matou três militares venezuelanos e feriu outros dez na fronteira entre os dois países. A emboscada ocorreu na região amazônica, uma zona onde operam membros do Exército de Liberação Nacional (ELN), a principal guerrilha colombiana ainda ativa. O governo da Venezuela condenou o que chamou de “incapacidade” do país vizinho para controlar grupos armados ilegais e reforçou a segurança na área, enquanto a Colômbia acusa a Venezuela de oferecer proteção aos guerrilheiros em seu território.

— Rechaçamos com contundência a incapacidade do Estado colombiano em controlar seus grupos, sua violência e seu narcotráfico — disse o ministro da Defesa, o general Vladimir Padrino, numa transmissão televisionada.

Algumas horas mais tarde, a Chancelaria colombiana emitiu nota declarando “sua disposição para facilitar toda a colaboração que seja requisitada, mediante as vias de cooperação judicial, para garantir a punição aos responsáveis”. Bogotá também expressou “solidariedade e condolências pelo assassinato repreensível” das tropas da Guarda Nacional Bolivariana da Venezuela.

Padrino culpa pelo ataque de domingo um esquadrão paramilitar colombiano que teria atuado em retaliação à captura de nove de seus membros, um deles identificado como Luis Ortega Bernal. Segundo a Colômbia, entretanto, Bernal é “um reconhecido dirigente do ELN”. Uma ONG indigenista da Veenzuela, Kape Kape, já havia atribuído o ataque ao grupo armado.

Segundo Padrino López, que anunciou o aumento da presença militar no estado venezuelano de Amazonas, há um plano para levar a uma escalada de violência Ele acusa a Colômbia de se negar a cooperar com a Venezuela em medidas de segurança para a sua longa fronteira de 2 mil quilômetros, onde grupos armados disputam atividades de narcotráfico e contrabando.

— Peço muita prudência às Forças Armadas, porque está claro que alí está a estratégia: nos provocar — disse o ministro.

Autoridades colombianas afirmam que os guerrilheiros do ELN e de outros grupos ilegais se refugiam em território venezuelano, às vezes com a tolerância das autoridades. A Venezuela nega as acusações.Na Assembleia Geral da ONU de 2018, em setembro último, o presidente colombiano, Iván Duque, que descreve Maduro como “ditador”, não reconheceu a Venezuela como participante das negociações de paz com o grupo, acusando o país de “financiar e apoiar” o ELN.

Nos últimos meses houve outros incidentes armados na área de fronteira. Em agosto passado, um soldado venezuelano foi morto e dois ficaram feridos pela explosão de uma mina antipessoal quando faziam uma patrulha em Catatumbo, no estado de Zulia. Na terça-feira passada, segundo a imprensa, um soldado foi sequestrado em um ataque paramilitar em um posto da Guarda Nacional em Táchira. Ele foi libertado após o desdobramento do Exército.


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