Morre a fotógrafa Mônica Imbuzeiro, aos 47 anos

RIO – A fotógrafa Mônica Imbuzeiro combinava domínio técnico, sensibilidade de artista e um olhar sofisticado para tudo: gastronomia, retratos, moda, festas populares. Gostava de conversar sobre cada pauta. Procurava o repórter e o editor, organizando ela mesma uma pequena reunião em que caminhos criativos eram decididos. Seu humor, que muitas vezes vinha pincelado de auto-ironia (Mônica não escapava dela mesma), se transformava em doçura no diálogo que travava com as personagens que retratava. No set, trabalhava com cuidado de artesã, avaliando cada detalhe e colocando os menores objetos em seus respectivos lugares com a delicadeza de quem acredita ter um tesouro em mãos. Quando viajava, trazia ângulos inusitados do destino. Uma curva da paisagem, uma casca de árvore, meninos brincando na praia, um rosto de mulher vivida. Tudo que fotografava virava poesia. O relato acima, da jornalista do GLOBO Renata Izaal, traduz o sentimento de cada pessoa que teve a oportunidade de conhecer Mônica, seja como amiga ou nas pautas que renderam milhares de imagens publicadas no jornal, nos últimos 19 anos.Mônica chegou à redação como estagiária, em 1º de maio de 1999, e, em dezembro do mesmo ano, foi efetivada na equipe. Primeiro, seu olhar apurado acompanhou a rotina dos Jornais de Bairro. Em pouco tempo, já era escalada para reportagens de suplementos como Rio Show e Segundo Caderno.ALMA DE POETA: Veja uma seleção de fotografias feitas por Mônica Imbuzeiro Em 2016, na Paralimpíada do Rio, ela acabou sendo escalada para a cobertura dos Jogos, apesar de nunca ter feito parte da editoria de Esporte.— Tivemos a oportunidade de mandar vários fotógrafos para o evento, e ela ficou feliz de ser chamada. Pôde fazer um trabalho diferente, ficou iluminada, só falava disso — recorda Marcelo Carnaval, subeditor de Fotografia do GLOBO, que destaca outras características de Mônica: — A gente costumava brincar que ela sempre pensava além, no quarto plano. Ela tinha um personagem em foco, mas olhava cada detalhe que estava compondo a imagem. A fotógrafa mais detalhista em relação ao enquadramento.Ser atenta aos detalhes também permitiu a Mônica enxergar pautas sempre que estava diante de um assunto curioso e de interesse do leitor. Foi assim com a história do transformista Pedro Paulo da Costa Pereira, a Rose Bombom, que virou personagem de uma reportagem da Revista O GLOBO, em 2008. Outra sugestão foi sobre padres caminhoneiros, que percorriam as estradas do país para celebrar missas em postos de gasolinas. A repórter Joana Dale acompanhou a fotógrafa nessa viagem.— Ela ficou sabendo que existia essa pastoral rodoviária e falou comigo, trouxe os contatos. A sugestão acabou virando uma das mais de 30 capas da Revista O GLOBO que fizemos juntas. Foram alguns dias rodando de carro, entre o Rio e Minas Gerais, atrás do padre caminhoneiro — conta Joana, que clicou Mônica segurando um filhote de ovelha, em 2016, quando fizeram uma reportagem sobre queijos, em Miguel Pereira.Para a fotógrafa do GLOBO Márcia Foletto, é fácil falar de Mônica Imbuzeiro, de quem tornou-se amiga:— Uma mulher linda, inteligente e alegre. Um jeito elegante e discreto, mas carregado de humor e gentileza. Uma fotógrafa excepcional, dedicada, sempre com ótimas ideias.A repórter Jacqueline Costa, da Revista Ela, também cita traços marcantes da amiga:— Seu olhar era delicado e perspicaz ao mesmo tempo. Era capaz de orquestrar mais de 20 pessoas numa foto, e todas saíam bem.Aos sete anos, Mônica ganhou do pai a sua primeira câmera. Mais tarde, fez jornalismo e cinema na UFF. Em 2014, afastou-se do trabalho por alguns meses para tratar um câncer de mama, mas, no ano passado, a doença voltou.Mônica morreu em casa, nesta quinta-feira, aos 47 anos. Ela deixa marido, o também fotógrafo Hudson Pontes.
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