Moro diz que não se vê como 'político verdadeiro' e que não pretende concorrer a cargos eletivos


RIO — O juiz federal Sergio Moro, futuro ministro da Justiça e da Segurança Pública, comentou nesta segunda-feira a decisão de deixar a Operaçao Lava-Jato e integrar o governo do presidente eleito Jair Bolsonaro no ano que vem. Em um evento sobre o mercado de construções sustentáveis no Brasil e no mundo, em Curitiba, Moro disse que não se vê “ainda como um político verdadeiro”.

— Eu, aqui, faço uma respeitosa divergência, não me vejo ingressando na política, ainda como um político verdadeiro. Para mim, é um ingresso num cargo que é predominantemente técnico —, afirmou.

Moro afirmou que pretender trabalhar no Ministério da Justiça com aquilo que conhece, a Justiça. Na palestra, que durou cerca de uma hora, Moro diz que não pretender “jamais” disputar cargo eletivo.

— Não pretendo jamais disputar qualquer espécie de cargo eletivo. Mas Ministério da Justiça e de Segurança Pública, pra mim, eu estou em uma posição técnica, pra fazer o meu trabalho —, ressaltou.

MENSAGEM A COLEGAS

Após entrar de férias na Justiça Federal para cuidar da montagem do Ministério da Justiça, Moro enviou uma mensagem a seus colegas da Justiça Federal pela intranet, na última quinta-feira. O magistrado afirmou que trabalhará em Brasília para aprimorar o enfrentamento à corrupção e ao crime organizado “com respeito à Constituição, às leis e aos direitos fundamentais”.

MoroMoro afirmou ter orgulho de ter participado da Justiça Federal e disse aos juízes que sigam atuando com independência, mesmo eventualmente contra o Ministério da Justiça:

“Continuem dignificando a Justiça com atuação independente (mesmo contra, se for o caso, o Ministério da Justiça”, disse Moro, que agradeceu as congratulações e reafirmou que a decisão de deixar a magistratura foi “muito difícil, mas ponderada”.

Disse a seus pares, que, se “tiver sorte”, poderá fazer algo importante, assim como o juiz italiano Giovanni Falcone, um dos responsáveis por deflagrar a Operação Mãos Limpas na Itália.

Reconhecido internacionalmente, o juiz foi responsável pela condenação de mais de 300 mafiosos nas décadas de 1980 e 1990, alguns à prisão perpétua. Ele assumiu o cargo de diretor de Assuntos Penais do Ministério da Justiça da Itália depois da operação de combate à máfia siciliana Cosa Nostra. Em 1992, foi morto após o carro onde estava com amulher explodir.

Veja a íntegra:

Prezados colegas magistrados federais,

A todos que me endereçaram congratulações aqui, meus agradecimentos.

Foi uma decisão difícil, mas ponderada.

Em Brasília, trabalharei para principalmente aprimorar o enfrentamento da corrupção e do crime organizado, com respeito à Constituição, às leis e aos direitos fundamentais.

Lembrei-me do juiz Falcone, muito melhor do que eu, que depois dos sucessos em romper a impunidade da Cosa Nostra, decidiu trocar Palermo por Roma, deixou a toga e assumiu o cago de diretor de Assuntos Penais no Ministério da Justiça, onde fez grande diferença mesmo em pouco tempo. Se tiver sorte, poderei fazer algo também importante.

Da minha parte, sempre terei orgulho de ter participado da Justiça Federal e os magistrados terão sempre o meu respeito e admiração. Continuem dignificando a Justiça com atuação independente (mesmo contra, se for o caso, o Ministério da Justiça).

Abs a todos,

Sergio Fernando Moro”


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