Ministro interino da Defesa diz que documentos da CIA são ‘para historiadores e a Justiça’

76813398_BRASIL - Brasília - BSB - PA - 17-05-2017 - PA - Presidente Michel Temer participa da cerim.jpgBRASÍLIA — O ministro interino da Defesa, general Joaquim Silva e Luna, disse nesta quinta-feira que os documentos da CIA a respeito do regime militar no Brasil são uma questão para “historiadores e a Justiça”. Por duas vezes, Silva e Luna disse que, para os militares, o assunto se esgota com a aplicação da Lei da Anistia. A declaração foi dada no Palácio do Planalto, depois de uma cerimônia de abertura da exposição “Entre a Saudade e a Guerra”, sobre a participação da Força Expedicionária Brasileira (FEB) na Segunda Guerra Mundial.

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— Para o Ministério da Defesa, esse tema se esgota na Lei da Anistia. A partir daí, é uma atividade para historiadores e, se houver demandas, para a Justiça. Reafirmo: passa a ser assunto para historiadores e a Justiça, se houver demanda, porque com a Lei da Anistia, do ponto de vista militar, esse assunto fica encerrado — disse Silva e Luna na cerimônia no Palácio do Planalto, que contou com a presença do presidente Michel Temer.

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Ditadura

No documento revelado na semana passada, o ex-diretor da CIA William Egan Colby descreve, em 11 de abril de 1974, para então Secretário de Estado dos EUA Henry Kissinger um encontro em 30 de março de 1974 entre Geisel e os generais Milton Tavares de Souza e Confúcio Danton de Paula Avelino, respectivamente os chefes de saída e chegada do Centro de Inteligência do Exército (CIE), à época. Na reunião também estava o general João Baptista Figueiredo, chefe do Serviço Nacional de Inteligência (SNI). Figueiredo, inclusive, sucedeu Geisel na presidência em 1979.

Durante o encontro, segundo o documento, o general Milton Tavares de Souza, que estava deixando a chefia do CIE, informa a Geisel sobre a execução sumária de 104 pessoas feita pelo CIE durante o governo do presidente Emílio Garrastazu Médici, e pede autorização para continuar a “política” de extermínio no novo governo.

Na reunião, Geisel pediu para pensar durante o fim de semana para decidir se continuava ou não com a “política”. Em 1º de abril, segundo o memorando, o presidente disse ao general Figueiredo que a “política deveria continuar”. No entanto, Geisel orientou que “apenas subversivos perigosos fossem executados”. Ele e Figueiredo concordaram que todas as execuções deveriam ser então aprovadas por Figueiredo.

O governo brasileiro já pediu aos EUA documentos e registros da CIA. O pedido ocorreu depois da repercussão da existência dos documentos. A família do jornalista Vladimir Herzog, que morreu na cadeia durante a ditadura militar, por exemplo, enviou na semana passada ao ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira, carta cobrando explicações sobre o documento da CIA. A carta foi enviada por Ivo Herzog, filho do jornalista e presidente do do Conselho do Instituto Herzog. A família pediu ao Itamaraty que peça ao governo dos EUA a “liberação completa dos registros realizados pela CIA que documentam a participação de agentes do Estado brasileiro em operações para torturar ou assassinar cidadãos brasileiros”.


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