Milícias são responsáveis por mais de 50% dos homicídios na região de São Gonçalo e Maricá, diz delegada

Segundo estimativa da polícia, homicídios praticados por três grupos significavam 50% dos homicídios na Região Metropolitana. Investigação começou com prisão de matadores das milícias. Um dos presos na Operação Gerais, contra milícias
Reprodução/TV Globo
A prisão de 18 pessoas envolvidas em três milícias distintas nos municípios de São Gonçalo e Maricá, na Região Metropolitana do Rio, pode impactar nos números de homicídios nos dois municípios. A avaliação é da delegada Bárbara Lomba, titular da Divisão de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí. Os números de mortes chamaram a atenção da Polícia Civil para a violência das quadrilhas.
“ A gente acredita que nessa região, mais de 50% dos homicídios são de atribuição desses grupos. Muitas vezes não conseguíamos elucidar esses crimes pela forma de atuação desses grupos. As pessoas conhecem os criminosos, matam sem qualquer disfarce, à luz do dia”, explicou Lomba.
Segundo ela, só as duas milícias de São Gonçalo movimentavam mais de R$ 100 mil mensais. As investigações tomaram força a partir das prisões em flagrante de dois matadores das milícia: Rodrigo Melo, o Russo, em janeiro deste ano, e João Paulo Firmino, o Mineirinho, em fevereiro. Firmino era da quadrilha comandada por Wainer Teixeira, líder da milícia em Maricá, e foi autor da chacina contra cinco jovens no condomínio do Minha Casa Minha Vida em Itaipuaçu.
“O Russo e o Mineirinho eram matadores e cobradores das duas milícias. Os dois grupos utilizavam as mesmas pessoas para fazer certos serviços”, explicou a delegada.
A partir das prisões, segundo ela, foi possível identificar os grupos e seus mandantes.
“É importante também dizer o quanto isso afeta a população local: pessoas que têm pagar caro no gás, na cesta básica, pagar taxas de segurança. É um trabalho para o qual cada vez mais os poderes e a sociedade tem que se voltar”, afirmou o promotor Sérgio Luís Lopes Pereira, do Grupo de Atuação Especializada e Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ).
‘Vereador amigo’
Em uma das gravações telefônicas autorizadas pela justiça, os milicianos Chicão e Luquinha falam sobre como vão se fortalecer para combater Wainer Teixeira, que foi preso na operação Calabar, contra policiais do 7º Batalhão (São Gonçalo), e foi preso em casa em Maricá nesta segunda, onde cumpre prisão domiciliar.
Sassá, líder da milícia, fala que quer a segurança do condomínio, e Chicão afirma que, para isso, precisarão da ajuda de um “vereador amigo”. Questionada, a delegada disse que as investigações continuam e que pessoas citadas nas ligações, incluindo o vereador, estão “no radar” da DH de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí.
Entre os foragidos, segundo a polícia, estão:
Rodrigo Silva, Negão, segundo na organização da milícia de São Gonçalo. Chicão, envolvido em homicídio em Maricá; RMeia, envolvido em homicídio em São Gonçalom que teria se juntado a uma milícia em Nilópolis.
Mapa localiza as regiões sob o poder de paramilitares
Infográfico: Juliane Monteiro/G1
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