'Meu maior medo é que ele não pague pelo que ele fez', diz mineira agredida nos EUA sobre ex


Última agressão aconteceu no domingo (23) em Tampa, na Florida. Erick Bretz saiu da prisão após pagar fiança de US$ 60 mil. Brasileiro suspeito de agredir namorada nos EUA é libertado sob fiança
“Eu fiquei muito triste quando eu vi que ele [Erick Bretz] havia sido liberado. Eu chorei bastante, eu fiquei com muito medo. Porque o meu maior medo é que ele não pague pelo que ele fez”, disse a universitária de Belo Horizonte Melissa Gentz, de 22 anos, em entrevista à TV Globo nesta quarta-feira (26). Ela foi agredida no último domingo (23), e o rapaz, de 25 anos, foi preso por suspeita do crime. Bretz, que também é mineiro, foi solto na noite desta terça-feira (25) após pagar fiança de US$ 60 mil – o equivalente cerca de de R$ 250 mil.
Melissa e Erick moram em Tampa, na Flórida. Eles se conheciam desde os tempos de colégio, mas namoravam havia cerca de três meses. A jovem conta que as agressões começaram no início do relacionamento, quando eles ainda estavam no Brasil. Nos Estados Unidos, de acordo coma universitária, os episódios de violência aumentaram e ela chegou, inclusive, a acionar a polícia duas vezes. Melissa contou que as brigas quase sempre eram por causa do celular e de redes sociais. (Ouça trecho de discussão entre o casal)
Melissa Gentz, de 22 anos, pretende voltar para o Brasil
Reprodução/TV Globo
“Ele não podia chegar perto da minha casa, foi a primeira medida que eu tomei, porque eu achei que já poderia ajudar. Só que ele continuou me manipulando”, disse. A jovem contou que disse a Erick que só aceitaria vê-lo novamente se ele fizesse terapia e, então, eles passaram a ver um especialista.
“E esse é um dos principais erros, quando você reconcilia com o ofensor. Ele não vai mudar dessa maneira, com uma terapia tranquila. Não no caso dele. Porque depois que eu comecei a terapia, as coisas só pioraram. Em menos de duas semanas, aconteceu essa última briga”, afirmou.
O G1 procurou a família de Bretz na terça (25) e nesta quarta (26), mas até última atualização desta reportagem ninguém havia se manifestado. A reportagem não conseguiu contato com o rapaz.
Ainda segundo Melissa, o rapaz era bastante ciumento. Inicialmente, de acordo com a jovem, os ciúmes eram em relação a ex-namorados e, depois, em relação a amigos. “Até chegar ao ponto de ele destetar que eu conversasse com minha mãe”, disse.
Melissa afirmou que, caso não tivesse ocorrido a última agressão, em que ela sentiu que poderia ser morta, provavelmente ainda estaria com Erick. “Quando um homem começa a ser assim, é importante terminar a relação na hora porque pode piorar, pode chegar no ponto que chegou e pode ser tarde demais”, disse.
Após terminar o namoro, Melissa Gentz repostou foto e fez desabafo
Reprodução/Redes sociais
A jovem, que estuda biologia molecular nos Estados Unidos, pretende trancar a matrícula na faculdade e voltar para o Brasil.
Erick ficou detido por três dias. Para sair da prisão, além de pagar fiança, teve de entregar o passaporte e vai responder a processo nos Estados Unidos por violência doméstica por estrangulamento e intimidação de vítima ou testemunha.
“Muita gente tem me apoiado, mas, ao mesmo tempo, eu fico triste que acontece tanto. São várias mulheres que comentam: ‘ah, eu já passei por isso! Nossa, eu sei como é isso, é tão triste de ver’. Mas eu acho que é muito importante compartilhar, falar sobre isso também. Então, que isso possa ser usado para bem de nós mulheres”, afirmou Melissa.
Cadastro de Erick Bretz feito por Tampa Police Department Bookings
Reprodução/Tampa Police Department Bookings
Última agressão
Melissa contou ao G1 que no domingo estava na casa de Erick e que eles assistiam a um filme, mas que o jovem começou a beber. A estudante falou que ele usa remédio para dormir e que não pode ser misturado à bebida alcoólica.
“Depois de um tempo ele começou a ficar agressivo. Pedia sem parar o meu celular. Ele ficou elétrico. Eu queria dormir porque no outro dia eu tinha aula. Eu queria ir embora e ele não deixava”, relembrou Melissa.
Melissa disse que Erick a empurrou várias vezes, prendeu a cabeça dela entre as pernas dele, pegou um vidro de soro fisiológico e virou no rosto de Melissa.
“Ele apertava o meu rosto, chutou o meu rosto, me puxou pelos cabelos pelo apartamento. Ele bateu a minha cara no chão”.
Com muito custo, Melissa conta que conseguiu se desvencilhar de Erick e correu para dentro do banheiro, mas ele arrombou a porta. “Para eu me livrar dele, eu entreguei o celular para ele e saí correndo para a portaria do prédio”.
Melissa falou que o porteiro chamou a polícia e uma ambulância para socorrê-la. Depois de medicada, no mesmo dia, à tarde, Melissa voltou ao apartamento de Erick para buscar os objetos pessoais. Ela estava acompanhada de dois policiais. O rapaz estava dormindo e recebeu voz de prisão.
Melissa contou ainda que houve outros episódios de ciúmes e que ele sempre pegava o celular dela. “Ele gritava, me ameaçava, dizia que eu era louca, que eu era surtada. Eu não podia ficar sem o meu celular porque como moro fora eu preciso do celular”, disse a jovem, que tinha no aparelho um meio de comunicação com os parentes.
Por causa da agressão, os pais e a irmã de Melissa chegaram aos Estados Unidos nesta segunda-feira (24) para acompanhar o caso. Ela e a família foram nesta terça (25) a um escritório de advocacia para tomar conta do caso. Um advogado também acompanha o caso no Brasil.
Melissa Gentz depois de ser espancada
Melissa Gentz/Arquivo pessoal
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