Marcar data para reforma da Previdência este ano seria um erro, diz Rodrigo Maia


BRASÍLIA — O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse na tarde desta terça-feira que seria um erro marcar uma data, neste momento, para a aprovação da reforma da Previdência. Na segunda-feira, o presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), manifestou interesse pela aprovação da reforma proposta pelo presidente Michel Temer ainda este ano. Maia afirmou que não quer criar “nenhuma expectativa equivocada”.

O presidente da Câmara diz que a reforma é urgente e tem afinidade com Paulo Guedes, anunciado como ministro da Fazenda, mas ressaltou que não conversou sobre o tema com Bolsonaro.

Reforma da Previdência – 30.10— Abrir um prazo para votação seria cometer o mesmo erro do ano passado. Olhando no ano passado, infelizmente o governo Michel Temer não teria condições de votar, de aprovar com a base que tinha aqui na Casa. Hoje nós temos dois meses ainda de trabalho, fora o mês de janeiro, com metade dos parlamentares que não foram reeleitos. Então não é uma articulação simples. Nós devemos ter paciência e esperar a construção da transição do governo.

Maia se colocou à disposição para ajudar a tratar do assunto na próxima legislatura e disse que não tinha informações suficientes para saber se a proposta, como está, teria condições de ser aprovada.

— Nós precisamos da reforma da Previdência, mas falar quando ela vai ser votada seria um pouco de precipitação. Acredito até porque tentamos no ano passado. E de fato o presidente Michel Temr não teve as condições por vários motivos. Não por falta de vontade ou empenho dele. Mas não teve condições de aprová-la aqui na Câmara dos Deputados. As reformas importantes mais polêmicas, elas sempre precisam da liderança do governo. O parlamento é independente, mas trabalha de forma harmônica. Então, quem tem condições de criar esta articulação, acredito eu, não sei se para os próximos dois meses ou para o próximo ano, é o presidente eleito — disse Maia.

Perguntado sobre a chance de aprovação ainda este ano, numa escala de zero a dez, Maia disse:

— Não tem número porque, se não há ainda uma clareza de qual é a posição do novo governo, de como eles pretendem articular essa votação agora, não posso dizer se seria zero ou dez. Seria um chute no escuro e ruim.

O presidente da Câmara acrescentou que o assunto é “tão importante” que “não criar nenhum tipo de expectativa equivocada”.

Maia ainda comentou a possibilidade de uma eventual derrota em caso de votação da proposta.

— Precipitado é votar qualquer coisa sem voto. Com voto, nada é precipitado. Votar qualquer matéria, Previdência ou não, para o futuro governo sofrer uma derrota eu acho que é ruim para o governo que entra.

Entre os homens-forte de Bolsonaro ainda não há um consenso sobre a proposta de reforma da Previdência. O economista Paulo Guedes, indicado para ser ministro da área econômica no governo de Jair Bolsonaro, minimizou a resistência do deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), confirmado como ministro da Casa Civil, à ideia de fazer uma reforma da Previdência ainda este ano. Os dois homens-fortes da equipe do novo governo discordam sobre a urgência da alterações das regras previdenciárias. A equipe se reuniu pela primeira vez nesta terça-feira para organizar a transição de governo, definir nomes de futuros ministros e afinar a pauta a ser enviada ao Congresso com o presidente eleito.

Onyx Lorenzoni descarta seguir com a reforma da Previdência proposta pelo presidente Michel Temer. Ele chegou a afirmar a possibilidade de o futuro governo usar uma meta de taxa de câmbio — hoje, o câmbio é flutuante. Em entrevista a jornalistas, Guedes chamou para si a responsabilidade sobre o tema.


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