Mais Médicos: dois municípios e dois distritos indígenas não tiveram nenhum interessado até agora


BRASÍLIA – Entre os 27 municípios de extrema pobreza e os nove distritos
sanitários especiais indígenas (DSEIs) localizados na Amazônia em que ainda há
vagas a serem preenchidas no programa Mais Médicos, a situação é pior em quatro
deles. Nos municípios de Juruá e Jutaí e nos distritos indígenas Médio Rio Purus
e Médio Rio Solimões e Afluentes, todos no estado do Amazonas, não houve ainda
nenhum médico interessado em atuar em um dos postos de trabalho disponíveis.O DSEI Médio Rio Solimões e Afluentes tem 12 vagas, mas nenhuma foi ocupada
até agora. No DSEI Médio Rio Purus, são sete, mas também não há interessados até
o momento. Nos municípios de Jutaí e Juruá, há seis e três vagas
respectivamente, mas todas seguem vazias.Em outros 25 municípios e sete DSEIs, apareceram interessados, mas não em
número o suficiente para preencher todas as vagas. O distrito sanitário indígena
com mais postos de trabalho, por exemplo, é do Alto Rio Solimões. São 27 ao
todo, mas só quatro foram preenchidas até agora.Com a saída dos médicos cubanos que trabalhavam no programa, em razão das
divergências entre o governo de Cuba e o presidente eleito Jair Bolsonaro, o
Ministério da Saúde lançou um edital para o preenchimento de 8.517 vagas, das
quais 8.185 estão em 2.824 municípios, e 332 estão distribuída em 34 DSEIs.
Segundo o último balanço da pasta, 8.366 já foram preenchidas, mas 151 continuam
à espera de interessados.Considerados todos os 34 DSEIs, ainda há 83 vagas para serem preenchidas, ou
seja, um quarto do total. Nos municípios a situação é um pouco melhor: 68 de um
total de 8.185 (menos de 1%), ainda não tiveram interessados. O Ministério da
Saúde classifica as cidades em sete faixas. A última delas, em que estão todos
os municípios com vagas a serem preenchidas, são os de extrema pobreza. O
balanço do Ministério da Saúde, porém, não mostra alguns problemas que estão
sendo revelados pelos gestores municipais.Levantamento do Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde
(Conasems) mostra que, 2.844 médicos aceitos no programa estão deixando postos
em equipes do programa Estratégia Saúde da Família. O presidente do Conasems,
Mauro Junqueira, estima que, considerando outras áreas, como Unidades de Pronto
Atendimento (UPAs) e hospitais, mais de 50% das vagas dos programa foram
preenchidas com profissionais que já atendem pelo SUS. Assim, estão apenas
trocando seus postos atuais de trabalho por outros, em busca de salários e
condições mais vantajosas.Outro problema são as desistências. Em Santarém (PA), por exemplo, das 17
vagas ofertadas, dois profissionais mudaram de ideia. Em outro município
paraense, Cametá, o secretário de Saúde, Charles Tocantins, contou que três
médicos que se apresentaram acabaram desistindo após perceberem que era preciso
percorrer 200 km de estrada de terra ou horas de barco da capital até o
local.Até a quinta-feira, apenas 230 dos mais de 8 mil médicos selecionados já
haviam começado a trabalhar. Para evitar desistências em massa, o Ministério da
Saúde anunciou que passaria a fazer um mutirão de ligações telefônicas para os
profissionais. A ideia é pedir que eles antecipem a ida aos municípios ou que
desistam de imediato caso não queiram o emprego naquele local. O prazo final
para começar a trabalhar é 14 de dezembro. Lista de municípios com vagas ainda não preenchidas:Jutaí (AM): 6 de 6 vagas não preenchidas (100% das vagas sem
interessados)Juruá (AM): 3 de 3 vagas não preenchidas (100%)Eirunepé (AM): 6 vagas de 8 não preenchidas (75%)Bagre (PA): 3 vagas de 4 não preenchidas (75%)Santo Antônio do Içá (AM): 3 vagas de 4 não preenchidas (75%)Envira (AM): 5 de 7 vagas não preenchidas (71,43%)São Paulo de Olivença (AM): 5 de 7 vagas não preenchidas (71,43%)Anajás (PA): 2 de 3 vagas não preenchidas (66,67%)Faro (PA): 2 de 3 vagas não preenchidas (66,67%)Japurá (AM): 2 de 3 vagas não preenchidas (66,67%)Tapauá (AM): 2 de 3 vagas não preenchidas (66,67%)Fonte Boa (AM): 3 de 5 vagas não preenchidas (60%)Melgaço (PA): 4 de 7 vagas não preenchdias (57,14%)Aveiro (PA): 3 de 6 vagas não preenchidas (50%)Boa Vista do Ramos (AM): 3 de 6 vagas não preenchidas (50%)Curuá (PA): 2 de 4 vagas não preenchidas (50%)Maraã (AM): 2 de 4 vagas não preenchidas (50%)Placas (PA): : 1 de 2 vagas não preenchida (50%)Tonantins (AM): 1 de 2 vagas não preenchida (50%)Portel (PA): 3 de 9 vagas não preenchidas (33,33%)Afuá (PA): 1 de 3 vagas não preenchidas (33,33%)Atalaia do Norte (AM): 1 de 3 vagas não preenchidas (33,33%)Gurupá (AP): 1 de 3 vagas não preenchidas (33,33%)Novo Aripuanã (AM): 1 de 3 vagas não preenchidas (33,33%)São Sebastião do Uatumã (AM): 1 de 4 vagas não preenchida (25%)Senador José Porfírio (PA): 1 de 4 vagas não preenchida (25%)Almerim (PA): 1 de 5 vagas não preenchida (20%)Lista de DSEIs com vagas ainda não preenchidas:Médio Rio Solimões e Afluentes (AM): 12 de 12 vagas não preenchidas (100% das
vagas sem interessados)Médio Rio Purus (AM): 7 de 7 vagas não preenchidas (100%)Rio Tapajós (PA): 10 de 11 vagas não preenchidas (90,91%)Alto Rio Solimões (AM): 23 de 27 vagas não preenchidas (85,19%)Vale do Javari (AM): 5 de 6 vagas não preenchidas (83,33%)Alto Rio Negro (AM): 13 de 18 vagas não preenchidas (72,22%)Parintins (AM): 8 de 12 vagas não preenchidas (66,67%)Amapá e Norte do Pará (AP e PA): 3 de 9 vagas não preenchidas (33,33%)Yanomami (RR e AM): 2 de 16 vagas não preenchidas (12,5%)
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