Maioria dos clientes inadimplentes procura diretamente os credores para quitar dívidas

Inadimplência.jpgRIO — Quando o assunto é quitar uma dívida para limpar o nome e recuperar o crédito na praça, a saída mais comum para os clientes inadimplentes é buscar um acordo diretamente com os credores. Essa opção foi apontada por 36% dos 800 consumidores com débitos ou que estiveram devendo nos últimos 12 meses ouvidos em uma pesquisa feita pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), em 27 capitais do país.

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Ainda de acordo com o levantamento, outra medida adotada pelos inadimplentes foi o corte de gastos (opção de 24% dos consumidores ouvidos). Além disso, 18% das pessoas optaram por procurar uma renda extra (como um trabalho freelancer), e 11% lançaram mão do 13º salário para regularizar sua situação. Outros 8% escolheram fazer um empréstimo consignado (com desconto em folha), que cobra juros menores.

Além disso, sete em cada dez tentaram renegociar o débito somente após terem o CPF incluído num cadastro de restrição ao crédito, sendo que 45% procuraram o credor para fazer um acordo, e 27% foram procurados pelas empresas.

Razões para acertar as contas

Entre aqueles que pretendiam pagar ou já tinham quitado seus débitos, 55% viam a atitude como moralmente correta. Outros 49% admitiram desconforto com a inadimplência, e 32% temiam que o valor da dívida aumentasse. A pesquisa mostrou até que 22% se incomodavam com as cobranças.

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Vale destacar que 73% dos inadimplentes ou ex-inadimplentes disseram ter sofrido consequências por terem ficado com o nome sujo. O efeito mais comum foi o fato de não terem conseguido contratar um novo cartão de crédito ou abrir um crediário (32%). Outros 28% deixaram de comprar a prazo (28%) ou enfrentaram dificuldades para abrir conta em banco e utilizar serviços financeiros (18%). Além disso, 13% não conseguiram financiar um veículo.

Telefone é o método mais comum para negociar dívidas

A forma mais comum de renegociar uma dívida ainda é o contato por telefone. Nos casos de dívidas com cartão de crédito e TV por assinatura, esse foi o meio de de comunicação ideal para 55% dos entrevistados. Se o problema envolvia o financiamento do carro, essa foi a opção escolhida por 53% dos devedores.

Se o atraso era referente ao pagamento de mensalidade escolar, a conversa cara a cara foi considerada a melhor opção para 33% das pessoas ouvidas. No caso de empréstimos, o contato pessoal seria a melhor saída para 31% dos entrevistados.

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O levantamento mostrou, também, que 29% dos que renegociaram suas dívidas se utilizaram de alguma ferramenta online. A principal vantagem apontada foi a possibilidade de fazer simulações de parcelas e chegar a valores que se adequaram à realidade orçamentária (opção citada por 25%), sem contar a agilidade (destacada por 23% das pessoas) e o fato de não precisar se deslocar (21%).

Dificuldades apontadas

As novas tecnologias impõem também dificuldades. Para 28% dos entrevistados que utilizaram as plataformas online para a renegociação de dívidas, a dificuldade de fazer uma contraproposta foi um dos problemas citados. Outros 27% reclamaram que nem todas as empresas têm esse tipo de serviço, e 25% mencionaram a falta de um profissional para esclarecer dúvidas sobre taxas e juros.

Dívida média total caiu de R$ 2.900 para R$ 1.500 em um ano

A pesquisa do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) considerou até os perfis das dívidas dos brasileiros entre 2017 e 2018. O resultado já era esperado: o cartão de crédito continuou sendo o campeão da inadimplência (citado por 53% dos entrevistados). Em seguida, apareceram empréstimos (21%), crediário (20%), cheque especial (17%), contas de telefone fixo ou celular (13%) e mensalidades escolares (7%).

Já o valor da dívida média caiu entre 2017 e 2018, de R$ 2.918 para R$ 1.512, com tempo médio de quitação de um ano e cinco meses. A diminuição da renda e o desemprego foram as duas situações que mais levaram os consumidores à inadimplência (31% de menções).


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