Mãe diz que brasileiro preso na China por atirar cadeiras deve ser julgado ainda neste mês: 'Desespero total'


Mãe que mora em Piraju (SP) pede ajuda em campanha na web para trazer filho, André Luis Machado Guidio, de volta ao Brasil. Brasileiro André Luis Machado Guidio está preso na China há mais de 3 meses
Arquivo Pessoal/Maria Lúcia Machado
O brasileiro André Luis Machado Guidio, de 29 anos, que está preso há mais de três meses na China por ter atirado cadeiras da janela de um apartamento, deve ser julgado ainda neste mês por atentato contra a segurança pública, segundo informou ao G1 a mãe do jovem, Maria Lúcia Machado.
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil, o Itamaraty, confirmou que foi notificado sobre a prisão do rapaz no dia 25 de maio deste ano na província chinesa de Hunan.
Porém, informou que em função do art. 55 do Decreto 7.724, que regulamenta a Lei de Acesso à Informação, a assessoria não estava autorizada a repassar informações sobre o julgamento.
De acordo com Maria Lúcia, moradora de Piraju (SP), a informação que conseguiu por meio dos amigos do filho que moram na China e do Consulado Brasileiro é de que se ela não pagar as multas nos próximos dias pelo crime de danos a terceiros, e por André estar trabalhando sem visto, o rapaz pode ser julgado até o final de setembro e pegar pena de até três anos.
“Desespero total. Como vou conseguir arrumar mais de R$ 50 mil em poucos dias? Já nem sei mais o que falar e nem pensar. Não sei se ainda vou conseguir ver meu filho vivo se ele pegar pena de três anos. O desespero toma conta de mim e de toda minha família”, diz a mãe.
Maria Lúcia decidiu fazer uma campanha na internet para conseguir ir até a China, pagar as multas e trazer André de volta.
“Infelizmente estou conseguindo muito pouco. Como mãe, é desesperador. Quero ajudar meu filho e preciso conseguir trazê-lo de volta”, ressalta.
Mãe do brasileiro recebeu foto dele sendo preso na China
Arquivo Pessoal/Maria Lúcia Machado
O presidente da Associação da Juventude Chinesa do Brasil, André Ye, afirmou ao G1 que soube do caso e está tentando ajudar a família a obter mais informações sobre a situação do rapaz.
“Um funcionário meu conhece a família e me informou sobre a prisão do André. Estamos tentando contato com o governo local para ver se conseguimos isentar o brasileiro das multas ou adiar o julgamento, além de tentar trazer de volta. Estamos tentando ajudar essa mãe.”
Maria Lúcia faz campanha para trazer filho preso na China de volta ao Brasil
Arquivo Pessoal/Maria Lúcia Machado
Prisão
De acordo com Maria Lúcia, o filho está na China desde 2017 trabalhando como dançarino. Porém, em abril ela percebeu que ele estava depressivo e perdeu contato com o jovem no final do mês.
“Eu falei com ele pela última vez dia 16 de abril. Ele chorou muito no telefone e disse que estava sentindo muita falta de casa. Achei ele bem estranho e bem depressivo. Mas até então estava tudo normal lá. Só que desde o dia 21 de abril ele sumiu das redes sociais. Não conseguia entrar em contato com ele e fiquei desesperada”, diz.
Fotos dos carros danificados foram divulgadas em um jornal na China, afirma mãe
Arquivo Pessoal/Maria Lúcia Machado
Maria Lúcia afirma que tentou entrar em contato com amigos até que soube pela namorada do filho, que mora na China, que o jovem tinha sido preso.
“Só soube da prisão em maio. A namorada disse que eles brigaram e depois disso foi até o apartamento, teve um surto e atirou cadeiras. Essas cadeiras atingiram dois carros que estavam na rua. Então, chamaram a polícia e ele foi preso.”
Segundo a mãe, ela acionou um advogado e entrou em contato com o Consulado da China, que informou que o filho estava respondendo por atentado contra segurança pública.
O G1 também questionou o Ministério das Relações Exteriores sobre mais detalhes do crime cometido pelo André e se o jovem não será julgado na China.
Contudo, o órgão apenas afirmou que funcionários do Consulado do Brasil no Cantão realizaram visita até a prisão para prestar ao cidadão brasileiro o apoio cabível
Ainda segundo o Itamaraty, o Ministério das Relações Exteriores está prestando a assistência consular cabível, prevista em lei, e facilitando o contato entre a família e o nacional.
André Luis foi trabalhar como dançarino na China, diz mãe
Arquivo Pessoal/Maria Lúcia Machado
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