Macron diz que Mercosul deve avaliar impacto da mudança política no Brasil


BUENOS AIRES – Na prévia do encontro anual de chefes de Estado do G-20, que será realizado a partir desta sexta-feira na capital argentina, o presidente Mauricio Macri iniciou uma maratona de 17 encontros bilaterais que têm o claro objetivo de recuperar parte da credibilidade perdida nos últimos meses, depois de cinco maxidesvalorizações do peso e um pedido de socorro ao Fundo Monetário Internacional (FMI).Macri conversou nesta quinta com líderes como o presidente francês, Emmanuel Macron, a quem agradeceu o respaldo dado pela França a seu país nas negociações com o Fundo, e defendeu a necessidade de fechar o acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia. Macron também destacou a importância das negociações, iniciadas há mais de 15 anos, mas reiterou que a eleição de Jair Bolsonaro (PSL) como novo presidente do Brasil representa um obstáculo para o entendimento. Mercosul – 27/11 – Houve uma mudança política no Brasil e o Mercosul deve avaliar o impacto desta mudança – declarou o presidente francês.Macron voltou a dizer que seu país não pode promover pactos com países que não estejam dispostos a cumprir o Acordo de Paris sobre mudanças climáticas.- Não sou favorável a assinar entendimentos com países que dizem claramente que não o respeitarão (o Acordo de Paris) – frisou o presidente da França.Macri também terá encontros bilaterais com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Rússia, Vladimir Putin, entre outros. Nesta quinta, a Casa Branca informou que Trump cancelou seu encontro com Putin pelo conflito em torno das embarcações ucranianas.Já o presidente brasileiro, Michel Temer, desembarcará esta noite em Buenos Aires e tem em sua agenda apenas duas conversas marcadas, com o primeiro-ministro de Singapura (país com o qual o Mercosul está negociando um acordo comercial que abriria as portas do Sudeste Asiático ao bloco), Lee Hsien Loong, e da Austrália, Scott Morrison.Para Macri, este é um dos eventos mais esperados desde que desembarcou na Casa Rosada, em dezembro de 2015. E mais ainda levando em consideração a delicada situação econômica da Argentina. Atualmente, duvida-se da capacidade do presidente argentino de se reeleger em 2019, algo que era dado como certo até o começo deste ano.- Agradecemos o importantíssimo apoio da França no FMI, graças ao qual, entre outros, conseguirmos ir superando os problemas que enfrentamos ao longo deste ano – declarou Macri na coletiva concedida junto a Macron.Este promete ser um dos encontros do G-20 mais tensos da última década e especula-se, até mesmo, a possibilidade de que não seja alcançado um consenso que permita ter uma declaração final. No melhor dos casos, confirmaram fontes argentinas, haverá comunicado, mas nele não será mencionada a palavra protecionismo, que gera profundos conflitos entre os países membros, entre outros motivos pelas medidas adotadas pela administração Trump. O foco serão assuntos como infraestrutura e educação.- A ideia é expressar no comunicado questões sobre as quais exista consenso e, sobre o protecionismo ,claramente não existe – admitiu a fonte argentina.Para receber os 20 chefes de Estado que estarão nos próximos dias na cidade, o governo Macri colocou 22 mil agentes de segurança nas ruas, fechou avenidas e acessos à cidade e informou até mesmo a moradores de regiões próximas ao evento e aos locais onde estarão hospedadas as autoridades que, se for necessário, devem permitir a entrada de francoatiradoes em suas casas.Nesta quinta, foram realizados protestos em frente ao Congresso argentino, convocados por movimentos sociais e partidos de oposição.- Esperamos que tudo ocorra em paz e sem violência – afirmou a ministra da Segurança, Patricia Bullrich, alvo de fortes questionamentos pelos incidentes que impediram a realização da final da Copa Libertadores, semana passada.
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