Lula queria reformar sítio com mesma equipe do tríplex, diz ex-presidente da OAS


SÃO PAULO. O empresário Léo Pinheiro, da OAS, afirmou que combinou as obras no sítio de Atibaia diretamente com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e que o petista líder chegou a sugerir que fosse usada a mesma equipe que trabalhou na reforma do tríplex do Guarujá.

Em depoimento nesta sexta-feira à juíza Gabriela Hardt, substituta de Sergio Moro, em audiência da ação sobre as obras do sítio, Pinheiro disse que a ideia não vingou devido à grande distância entre as duas cidades – Atibaia e Guarujá – e ao fato de a empreiteira ter usado uma empresa terceirizada para as obras do tríplex. No sítio, segundo ele, as obras eram bem menores e foram feitas por funcionários da empresa.

Léo Pinheiro contou que o próprio ex-presidente Lula, que foi com ele ao sítio de Atibaia para explicar os serviços a serem feitos na sala, na cozinha e no lago da propriedade, pediu que a OAS e seus funcionários não fossem identificados.

– O presidente orientou que não fizesse nada em nome da OAS – afirmou.

Léo Pinheiro disse que combinou com João Vaccari, ex-tesoureiro do PT, que já cumpre pena na Lava-Jato, que os valores gastos da OAS com as obras no sítio, no tríplex e com os empreendimentos da insolvente Bancoop, a cooperativa dos bancários responsável pelo prédio do tríplex, deveriam ser descontados da propina paga ao partido com origem nas obras da Petrobras.

O empresário afirmou que não tratou dos valores com Lula, mas que Vaccari lhe disse que consultaria o presidente.

Segundo Pinheiro, Lula o convocou para um encontro no Instituto Lula, em fevereiro de 2014, quando pediu que a OAS fizesse reformas no sítio. Os dois foram ao sítio no sábado seguinte e o empresário combinou de encontrá-lo no pedágio da Rodovia Fernão Dias. O empresário levou junto o engenheiro Paulo Gordilho, que já comandara as obras no tríplex.

– Quando o presidente me convocou no Instituto Lula, me falou que estava precisando fazer uma modificação na entrada principal da sede e também tinha um problema do lago – relatou o empresário.

As orientações para a reforma, afirmou o empreiteiro, foram dadas por Lula e sua esposa, Marisa Letícia, que morreu em fevereiro de 2017. Gordilho e Pinheiro sugeriram fazer um projeto, levado à casa do presidente, no ABC paulista, para ser aprovado. Neste encontro, foi dito que seria preciso refazer os armários, que acabaram sendo comprados pela OAS na Kitchens, mesma fornecedora de móveis e armários para o tríplex.

– Eles é que determinaram tudo que deveria ser feito – disse Pinheiro, acrescentando que não perguntou a Lula se ele era ou não o dono do sítio.

O empreiteiro contou que a equipe da OAS ficou hospedada no sítio e que o material usado era comprado em nome do encarregado da obra.


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