Justiça prorroga prisão temporária de investigados na Operação ‘Kms de Vantagem’


Prazo de cinco dias expirou nesta segunda (24). Pedido vale para oito investigados, sendo três em Uberlândia e cinco em Goiás. MPE investiga processo licitatório do transporte escolar em Uberlândia ocorrido em 2014. O prazo de cinco dias para a prisão temporária de 19 investigados na Operação “Kms de Vantagem”, realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Uberlândia, finalizou nesta segunda-feira (24).
Mas a 2ª Vara Criminal da comarca informou no final da tarde desta terça-feira (25) ter acatado o pedido feito pelo Ministério Público (MP) e prorrogou por mais cinco dias a prisão de oito deles para que novos depoimentos sejam colhidos.
As investigações que culminaram na Operação “Kms de Vantagem”, deflagrada na quinta-feira (20), foram iniciadas pelo órgão vinculado ao MP em 2014 e apontam irregularidades no processo licitatório para a escolha da prestadora de serviço do transporte escolar municipal em 2014. Além da cidade, houve cumprimento de mandados em Goiás e Tocantins.
Prisões prorrogadas
Entre os que tiveram prorrogada a prisão temporária, três são de Uberlândia: o policial civil Áquila Rodrigues da Silva (que está custodiado no município pelo prazo de 10 dias contados a partir de 21 de setembro) e os servidores municipais Luciano Pereira de Freitas e Cristiano de Assunção Figueiredo. Eles permaneciam no Presídio Professor Jacy de Assis até esta publicação. Os outros cinco são de Goiás.
Os demais presos temporários da cidade- os servidores municipais Luciana Fernandes de Rezende, Maria Angélica Terra Teles de Oliveira, Patrícia Ramos Silva e Daniel de Almeida- foram soltos.
De Uberlândia, duas pessoas são consideradas foragidas pela Justiça: a assessora Maria Anita Parreira de Araújo (com prisão preventiva em aberto) e José Francisco Moreira Jordão (com prisão temporária), apontado como elo entre os integrantes de Minas Gerais e Goiás, com influência na Prefeitura de Uberlândia.
Entre os pedidos acatados pela Justiça, o MP requereu que Maria Anita e José Francisco tenham os nos nomes inclusos no Banco Nacional de Mandados de Prisão (BNMP).
De Goiás, ainda havia três foragidos até esta terça-feira.
Parte dos presos em Uberlândia está no Presídio Professor Jacy de Assis em Uberlândia
TV Integração/ Reprodução
Operação
Foram expedidos na Operação “Kms de Vantagem” 30 mandados de prisão temporária e preventiva, além de 31 mandados de busca e apreensão cumpridos em Catalão (GO), Goiânia (GO) e Porto Nacional (TO).
O Gaeco apurou que um mesmo grupo econômico constituiu pelo menos seis cooperativas de transporte para concorrer a licitações em várias prefeituras.
Operação ‘Kms de Vantagem” foi deflagrada pelo MPE por meio do Gaeco de Uberlândia
Pedro Torres/G1
Conforme a promotoria, uma das cooperativas foi constituída com a finalidade de fraudar o certame uberlandense de 2014 e, inclusive, declarando como sede da empresa o endereço de uma plantação de bananeiras no interior de Goiás.
Por parte dos servidores e ex-gestores da administração municipal, as investigações indicam que eles teriam conhecimento das irregularidades e, mesmo assim, deixaram o contrato ser concretizado. Alguns deles também teriam beneficiado o grupo econômico com informações privilegiadas sobre a licitação.
Os suspeitos são investigados pelo Gaeco por crimes de organização criminosa, corrupção ativa, corrupção passiva, peculato, fraude à licitação, uso de documento falso e lavagem de dinheiro, entre outros.
As investigações seguem em andamento e devem ser finalizadas na próxima semana. Em seguida, o MPE enviará a denúncia ao Judiciário.
Liberdade provisória
No site do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), constam novos pedidos de liberdade provisória ingressados pelas defesas junto à 2ª Vara Criminal em favor das seguintes pessoas que estão presas preventivamente no Presídio Jacy de Assis:
o ex-prefeito Gilmar Machado, candidato a deputado federal pelo PT, que já teve a liminar de um habeas corpus negada em segunda instância;
o diretor de compras da Prefeitura de Uberlândia entre 2014 e 2015, André Luiz Teles;
o assessor de comunicação Cássio de Lima;
a ex-secretária de Educação Gercina Santana Novais;
o secretário de Trânsito e Transporte Alexandre Andrade, atualmente candidato a deputado federal pelo PSB).
O servidor Luciano Pereira de Freitas, preso temporariamente, também tem um pedido de liberdade provisória em análise na 2ª Vara Criminal.
Os recursos ainda não foram julgados pela comarca de Uberlândia.
As assessorias e partidos dos políticos se pronunciaram por nota na última semana. A reportagem também tentou contato com os advogados e representantes dos outros investigados no dia da operação, mas sem sucesso.
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