Justiça de Goiás acolhe denúncia contra 11 brasileiros acusados de promover terrorismo

tjgo.jpgBRASÍLIA – A 5ª Vara da Justiça Federal de Goiás acolheu denúncia contra 11 pessoas suspeitas de promover o terrorismo no Brasil e integrar organização criminosa. Cinco deles são acusados ainda de aliciamento de um cúmplice, Bruno Calazans de Oliveira, que à época era menor de idade. A denúncia foi formulada pelo procurador Divino Donizete da Silva com base em informações extraídas de grupos de Whatsapp e do Facebook e em trechos de depoimentos dos investigados.

Entre os denunciados, Gabriel de Oliveira Carvalho e André Araújo Silveira teriam problemas mentais, segundo o próprio procurador. As investigações tiveram início a partir da Operação Átila da PF. Segundo a denúncia, um dos investigados, Weverton Costa Nascimento, que se identificava como Abu Omar Al-Brazili, seria administrador de dois grupos no Whatsapp intitulados “Estado do Califado Islâmico” e “Na via de Alá, vamos”.

Do Estado do Califado Islâmico fariam parte ainda Thiago da Silva Ramos Benedito, Jonatan da Silva Barbosa e Matheus Santos Pinaffo. Segundo a denuncia, o grupo Califado do Estado Islãmico foi criado por Benedito, conhecido como Abu Ahmed, para “discutir a criação de uma célula terrorista no Brasil, além de utilizar páginas do Facebook para difundir e promover a ideologia jihadista, e vem tentando recrutar brasileiros para integrarem oEstado Islâmico na Síria”.

A base da acusação seria análise da polícia sobre comentários do investigado no Facebook. Relatório da policia diz que Benedito teria se tentando de aproximar de mulher egipcia para aprender a falar árabe com o objetivo de, no futuro, “se juntar ao grupo terrorista autointitulado Estado Islâmico”. Ainda na rede social. Benedito teria dito “possuir veste islâmica” e chamado a atenção de interlocutores para “nossa bandeira lá no fundo”.

O relatório diz ainda que Benedito “afirma sempre conversar com vários recrutadores jihadistas, um desses seria da província de Idlib (Síria)”. Num dos diálogos, “torna-se clara a tentativa de Abu (Thiago) em recrutar brasileiros”. Não está claro, no entanto, com quem Benedito teria conversado e quais seriam os brasileiros que ele estaria aliciando para a guerra santa. O procurador destacou como suspeita também um diálogo entre Jonatan e Brian Alvarado, outro integrante do “Estado do Califado Islâmico”.

Num determinado momento da conversa, Alvarado “propõe a explosão de um veículo com botijões de gás”. Num outro trecho, ele sugere “o cometimento de um atentado nos termos do realizado na Ponto de Londres no carnaval do Rio de Janeiro/RJ”. Jonatan da Silva teria respondido”que o carnaval de Salvador/Ba teria mais pessoas”. O procurador argumenta ainda que, com Jonatan a polícia apreendeu vídeos de execuções e atentados suicidas,entre outras peças de propaganda do terrorismo internacional.

Gabriel de Oliveira Carvalho, que teria problemas mentais, criou um blog chamado jihadologyweb, “no qual foram encontradas diversas publicações com discursos de ódio e vingança contra órgãos do governo brasileiro em virtude da prisão de envolvidos na denominada Operação Hashtag”. Carvalho se apresentaria na internet como “representante do Estado Islâmico no Brasil”. Em outro grupo de Whatsapp, “Revolucionários Islâmicos”, a polícia diz que Welington Moreira Carvalho se identificava como “lider da Al Qaeda no Brasil”.

Nas conversas, os “Revolucionários Islâmicos” expõem “planos liderados por Welington (Salahuddin) de recrutamento e organização de indivíduos com a finalidade de treinamento paramilitar na região Norte do Brasil”.

Na conclusão da denúncia, Divino Donizete diz estar ciente de que a Constituição assegura a liberdade de consciência e de crença. Mas, ao analisar o material coletado pela policia, constatou que “as mensagens, fotos e postagens vão além de uma simples manifestação de pensamento ou de defesa de uma ideologia política ou religiosa”.

Segundo ele, a interação entre os internautas investigados “situa-se entre exaltação e a celebração de atos terroristas já realizados em todo o mundo, passando passando pela postagem de vídeos e fotos de execuções públicas de pessoas pelo Estado Islâmico, chegando a orientações de como realizar o juramento ao líder do grupo (‘bayat’), e atingindo a discussão sobre possíveis alvos de ataques que eles poderiam realizar no Brasil, locais para instalação e treinamento de grupo armado, com a orientação sobre a fabricação de bombas caseiras, a utilização de armas brancas e aquisição de armas de fogo para conseguir esse objetivo”.


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