Júri do caso de jovem morta durante 'teste de fidelidade' termina com réus condenados

Ismael da Silva foi condenado a um ano de reclusão por ocultação de cadáver e Diego de Sá a 18 anos por homicídio qualificado. Ministério Público vai recorrer da decisão. Diego de Sá (de blusa social branca) e Ismael José da Silva (de blusa social azul) ouvem sentença na noite desta quinta-feira (23)
Eliete Marques/G1
Após cerca de 39 horas de julgamento do caso Jéssica Moreira Hernandes, jovem de 17 anos que foi assassinada em abril do ano passado em um suposto “teste de fidelidade”, o juiz Bruno Magalhães Ribeiro dos Santos leu a sentença dos réus Ismael José da Silva e Diego Sá Parente, no Fórum Dr. Sobral Pinto, em Cerejeiras (RO). A primeira sessão do júri começou por volta das 9h de quarta-feira (22).
Depois da reunião do Conselho de Sentença, ficou decidido que todos os réus seriam condenados. Ismael José da Silva foi condenado a um ano de reclusão e 10 dias multa por ocultação de cadáver. Ele ainda pode recorrer e cumprir a pena em liberdade.
Já Diego de Sá Parente ficará 18 anos recluso por homicídio qualificado e mais um ano também por ocultação de cadáver. Diferente do primo, ele não tem o direito de recorrer da decisão em liberdade. A pena inicial será cumprida em regime fechado.
A sentença foi anunciada às 23h30 desta quinta-feira (23). Seis homens e uma mulher formaram o corpo do júri. O Ministério Público informou que irá recorrer da decisão.
Diego de Sá insistiu que apenas ocultou o corpo da jovem junto com o primo.
Renato Barros/ Rede Amazônica
Durante a tarde, o Ministério Público de Rondônia (MP-RO) chegou a pedir a condenação de ambos os réus pelos crimes de homicídio e ocultação de cadáver. Em homicídio, o órgão solicitou ainda quatro qualificadoras: motivo torpe, feminicídio, recurso que impossibilitou a defesa da vítima e meio cruel.
O motivo é que o órgão concordou com a versão concluída pela Polícia Civil durante as investigações, onde apontam que Ismael cometeu o crime e Diego auxiliou o primo. Além disso, diz que ambos ocultaram o corpo da jovem.
Ismael da Silva disse ser inocente.
Renato Barros/ Rede Amazônica
Para o MP, Diego teria atraído Jéssica para a casa da mãe dele com a desculpa de que mostraria à vítima provas de que o primo, seu então namorado, a traia.
Durante a manhã, Diego foi interrogado por mais de três horas e chegou a se emocionar. O réu a todo momento reiterou que foi Ismael quem matou a namorada e ele apenas ajudou a ocultar o corpo. O júri seguiu até o começo da tarde, onde ocorreu uma pausa para o almoço.
Na manhã do segundo dia de julgamento, Diego foi interrogado por mais de três horas e chegou a se emocionar. O tempo todo, ele insistia de que foi Ismael quem matou a namorada, alegando que apenas ajudou a ocultar o corpo. Após o teste, a adolescente foi morta e o corpo abandonado em um matagal.
No primeiro dia do júri, 11 pessoas foram ouvidas, sendo elas oito testemunhas e três informantes – pessoas que têm alguma ligação com os réus e com a vítima. Uma testemunha, um policial civil, foi dispensada por não ter participado da investigação.
Cronologia do 1° dia de júri
Júri começou às 9h da manhã, com sorteio de júri.
Primeiro depoimento foi de uma investigadora da Civil, às 10h30.
Testemunha seguiu falando até por volta de 13h. Outro policial foi dispensado.
11 pessoas foram ouvidas, sendo elas oito testemunhas e três informantes – pessoas que têm alguma ligação com os réus e com a vítima.
Ismael é ouvido durante a noite pelos jurados.
O júri seguiu até 23h em Cerejeiras.
Como Jéssica foi morta?
Jéssica foi a assassinada com golpes de faca após um suposto teste de fidelidade. A garota foi encontrada morta no dia 24 do mesmo mês, na Linha 4, zona rural de Cerejeiras. A vítima tinha apenas 17 anos.
Jéssica Moreira Hernandes tinha 17 anos quando foi morta.
Facebook/ Reprodução
O que alegaram os réus?
Diego alegou o tempo todo que o primo, Ismael, era um namorado extremamente ciumento e estava desconfiado da infidelidade de Jéssica. Por conta disso, o chamou para fazerem um teste de fidelidade com a garota.
Diego disse que foi ameaçado por Ismael para ajudar a esconder o corpo da garota. Porém, a defesa apresentou provas no julgamento, em 2017, que Ismael estava no trabalho no horário do crime, e o réu foi absolvido.
Após ser liberado, o Ministério Público de Rondônia (MP-RO) entrou com recurso e a 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça foi unânime em determinar que Ismael também fosse julgado pelo júri popular.
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