Jungmann diz que PF está pronta para assumir caso Marielle se investigação for federalizada

RIO – O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, afirmou neste domingo que a Polícia Federal, que integra a sua pasta, está pronta para assumir as investigações da morte da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes. A declaração ocorre justamente um dia depois de o crime ter completado 150 dias sem solução. Jungmann disse ainda que só depende de um pedido dos ministérios públicos do Rio e Federal, além da secretaria de Segurança estadual, para entrar no caso, mas elogiou o trabalho da Polícia Civil até o momento.LEIA MAIS: A trajetória de Orlando Curicica, o ex-PM que virou o principal suspeito da morte de MarielleViúva de Marielle fecha acordo de proteção com a Polícia Civil’Sistema de proteção a pessoas ameaçadas no Rio é catastrófico’, afirma pesquisadorJustiça decreta a prisão de mais dois suspeitos da morte de Marielle FrancoNa semana passada, Jungmann já tinha dito que o crime poderia estar ligado a disputas políticas e negociações de cargos públicos. Confira abaixo a entrevista do ministro ao GLOBO.O GLOBO: Passados 150 dias, a sociedade ainda espera uma resposta para o caso Marielle. O senhor acha que a solução está distante? Há um risco real de ficarmos sem essa resposta ?JUNGMANN: Se o Ministério Público do Estado do Rio, o Ministério Público Federal ou a Segurança do Rio requererem, a PF está pronta para assumir as investigações, como uma das melhores polícias investigativas do mundo. Com todos seus recursos humanos e tecnológicos. Friso que e inaceitável não punir duramente os que covardemente mataram Marielle. Agora, repito aqui o que tenho afirmado: a equipe da Delegacia de Homicídios da Capital, da Polícia Civil do Rio, é competente e dedicada.O GLOBO: Como seria essa investigação nas mãos da PF? Há uma equipe especializada ?JUNGMANN: Não cabe especular algo não solicitado. Apenas reafirmar nossa total disposição e capacidade em ajudar ou assumir, caso necessário as investigações.O GLOBO: A transferência do caso requer uma decisão do interventor? Como pode ser feita ?JUNGMANN: Pode ser a requerimento do Ministério Público Federal, do Ministério Público do Estado do Rio ou do secretário de Segurança, o general Richard Nunes.O GLOBO: A possibilidade de envolvimento de agentes públicos no crime é um obstáculo para o avanço das investigações ?JUNGMANN: Se você tem vários envolvidos, agentes públicos e políticos, formando uma rede com poder em vários níveis, mais executores profissionais terceirizados, sim, sem dúvida.O GLOBO: A PF, ao assumir o caso, cinco meses depois, teria como recuperar o tempo pedido?JUNGMANN: Difícil responder. Em tese, uma investigação complexa como essa, com tanto tempo já passado, não se pode dar prazo, fixar uma data. E seria importante , caso se requeira a PF, repito, a colaboração da equipe da Polícia Civil, que é dedicada.O GLOBO: Como está sua relação com a intervenção?JUNGMANN: São boas. Sou um apoiador da ação do Braga (general Walter Braga Netto, o interventor) e do Richard (Richard Nunes, secretário de Segurança do Rio), excelentes profissionais e, embora não participe da coordenação, das decisões ou dos rumos da intervenção, creio que deixarão a segurança do Rio melhor que receberam. E, através da Polícia Rodoviária Federal, Polícia Federal e Força Nacional, temos contribuído para isso. Mas vale lembrar que o canal de ligação dos interventores com o governo federal é a Presidência da República.O GLOBO: Se o futuro governador quiser, os generais ficam?JUNGMANN: Isso dependerá, cumulativamente, do futuro Presidência da República. Mas, pelo que tenho lido, os interventores entendem que não é necessário continuar com a intervenção. Um meio termo possível seria encerrar a intervenção, mantendo a GLO (Garantia da Lei e da Ordem) e seguindo o planejamento proposto pelo general Braga Netto e equipe.O GLOBO: Como o senhor recebeu a notícia de que 1,7 milhão de eleitores fluminenses viverem em áreas dominadas por facções criminosas?JUNGMANN: Eu era deputado e o ministro Ayres de Brito presidente do TSE, isso em 2008, e eu já o alertava para o controle do crime sobre as eleições, o que redundou num acordo com Nelson Jobim (ex-ministro da Defesa) e o ministro da Justiça da época (Tarso Genro), para combater o que chamo o “coração das trevas” existente no Rio. Porque o crime elege sua bancada que ira indicar os seus no loteamento dos cargos, incluso para o aparato de segurança, gerando a “metástase” a que me refiro. Há que monitorar seus aliados e representantes. Impedi-los de concorrer e se eleitos, cassá-los. Além de garantir a liberdade de escolha das comunidades. O Ministério da Segurança Pública, via Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e Força Nacional, participa desse esforço.
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