Itamaraty envia carta aos EUA pedindo que Brasil seja excluído da sobretaxa do aço

m880845.jpgWASHINGTON – O governo brasileiro enviou na terça-feira uma carta ao Departamento de Comércio americano pedindo a exclusão do aço brasileiro da sobretaxa de 25% anunciada pela Casa Branca na semana passada. No documento, o Brasil reforça os argumentos de que não ameaça a indústria americana. A embaixada brasileira em Washington também decidiu ampliar a argumentação e está mapeando nos distritos eleitorais dos EUA empresas brasileiras que são empregadoras importantes. O objetivo é pressionar deputados a agirem a favor do Brasil, além de listar produtos americanos onde o Brasil é um mercado importante.

– Estamos agindo e temos muito contato com o Congresso. Ouvi de um deputado que os argumentos brasileiros são mais fortes que os canadenses (que foram excluídos, junto com o México, da nova taxa) – afirmou ao Globo o embaixador Sergio Amaral.

O embaixador afirma que já teve um novo contato com integrantes do Escritório da Representação Comercial Americana (USTR) – órgão que conduz as negociações bilaterais pelo governo dos Estados Unidos – após a decisão de Trump, assinada pelo presidente na quinta-feira da semana passada. Ele afirmou que tem esclarecido os pontos que comprovam que o Brasil não é uma ameaça à segurança americana e que a produção do aço nos EUA está interligada com o produto brasileiro.

Ele lembrou, por exemplo, que o aço brasileiro representa apenas 4,4% do mercado americano global, que siderúrgicas brasileiras já investiram mais de US$ 11 bilhões nos EUA, que o setor importa US$ 1 bilhão por ano de carvão siderúrgico americano e que 80% do que o Brasil exporta é em produto semiacabado, ou seja, matéria prima para a indústria americana.

Amaral explica que até o momento os americanos não pediram nada em troca do Brasil, apenas ouviram os argumentos. E que os próximos passos também dependem do setor privado brasileiro, que precisa mobilizar seus parceiros americanos. Questionado se o Brasil não deveria estar mais presente em Washington – o colunista Ancelmo Gois publicou. no GLOBO desta quarta-feira que o ministro argentino do comércio está na capital americana para fazer pressão -, o embaixador afirma que está tendo muitos contatos e que, na verdade, o Brasil já havia se antecipado.

– Nos encontramos com Wilbur Ross (secretário de comércio americano) antes da decisão de Trump, ou seja, estamos agindo há muito tempo – disse ele, que espera que a exclusão do Brasil da lista dos paises antes da divulgação dos detalhes desta nova tarifa, esperada para a próxima semana.

Nesta quarta-feira o presidente Brasileiro Michel Temer disse que se o Brasil não for excluído desta sobretarifa poderá se juntar a outros países para recorrer à OMC. Questionado sobre quais poderiam ser estes países, o embaixador afirmou que é cedo dizer os nomes, pois é necessário aguardar primeiro a decisão final americana para saber se mais algum país será retirado da lista:

– Mas agora é um momento que todos estão conversando, é difícil antecipar. Mas os europeus já manifestaram que devem recorrer se forem atingidos por esta tarifa – disse Amaral.


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