Inflação de bloco da América Latina é a mais baixa desde o período pós-guerra, diz banco estrangeiro

63791928_EC Rio de Janeiro RJ 13-01-2017 Preços dos alimentos caem em 2016 mas continuam altos - Fei.jpeg

RIO – Ao cair para 3,3% em março, frente aos 4,7% do mesmo período do ano passado, a inflação de grupo de países da América Latina (Brasil, Chile, Colômbia, México, Peru e Argentina) atingiu seu nível mais baixo desde o período pós-guerra, segundo relatório do Banco Goldman Sachs. De acordo com o documento, o ambiente favorável para uma inflação mais baixa, que já era realidade no fim do ano passado, se acentuou no primeiro trimestre de 2018, devido a continuidade da queda dos preços dos alimentos, considerada extraordinária pelos economistas do banco.

A inflação dos alimentos do bloco ficou inalterada em março, em relação ao mesmo mês do ano passado. Segundo eles, caso os preços das alimentação dentro e fora de casa estivessem alinhados com a média histórica, a inflação desta região estaria 1,5 pontos percentuais maior que o nível atual. A inflação de serviços do bloco também caiu, 1,2 ponto percentual no período, para 3,6% em março deste ano.

“A taxa de inflação atual é a mais baixa pelo menos desde o período do pós-guerra e está ocorrendo em um cenário de economias em crescimento. No geral, com algumas exceções notáveis – Argentina e Venezuela – a América Latina é hoje uma região com baixa inflação. Além disso, as expectativas de inflação diminuíram e se ancoraram em níveis amplamente consistentes com as metas oficiais de inflação”, afirmam os economistas Alberto Ramos e Gabriel Fritsch, que assinam o relatório.

Eles destacaram ainda, que a dinâmica benigna da inflação no primeiro trimestre de 2018 facilitou a execução da política monetária de alguns países do bloco, como Peru em Brasil – onde a taxa básica de juros Selic está em seu nível histórico mais baixo (6,5% ao ano) e é esperado um novo corte na reunião do Banco Central que ocorre na metade deste mês, de 0,25 ponto percentual.

A melhora mais acentuada na taxa no primeiro trimestre do ano ocorreu no México, mas o documento também destaca o comportamento dos preços no Brasil: “a inflação no Brasil também surpreendeu negativamente no primeiro trimestre: a inflação cheia permaneceu abaixo do limite de 3% da meta da meta de inflação, e uma parte significativa dessa surpresa positiva certamente estava relacionada à continuação da inflação alimentar muito benigna. A inflação dos núcleos e serviços desacelerou ainda mais do que a inflação global tanto do ano anterior quanto do mês de dezembro”. No Brasil, a meta estabelecida pelo Banco Central é de 4,5% este ano, e atualmente a inflação acumulada em 12 meses está em 2,68%. A expectativa é que ela encerre o ano ao redor dos 4%.

Segundo o relatório, em todos os países, com exceção do México, a inflação anual dos alimentos consumidos em casa diminuiu significativamente ao longo de 2017 e diminuiu ainda mais durante os três primeiros meses do ano. A alimentação fora de casa também caiu significativamente ao longo de 2017, e ainda mais nos primeiros três meses deste ano: “um reflexo do menor repasse aos preço e do efeito atenuante das condições de demanda doméstica ainda lentas”.

BANCOS CENTRAIS DEVEM AGIR COM CAUTELA

No entanto, aconselham no documento, que os bancos centrais, principalmente de Brasil, Chile, Colômbia e Peru, ajam com cautela, apesar da realidade de inflação baixa, porque os preços dos alimentos, principais responsáveis por essa condição confortável, estão excepcionalmente inferiores à série histórica de longo prazo, e é possível que se normalizem “à frente, acrescentando risco de alta à inflação”.

Segundo o relatório, o México é exceção no bloco. Depois de ter tido uma inflação mais baixa em 2015 e na maior parte de 2016, os preços aceleraram, por conta de “diversos choques de ofertas negativos consideráveis”. Esse ambiente de inflação mais alta, somada à deterioração das expectativas de inflação e riscos significativos internos e externos levaram o Banco Central mexicano aumentar a taxa básica de juros em 2,5 ponto percentual em 2016 e mais 1,5 ponto percentual em 2017.

Há algumas exceções no bloco, pontua. Na Argentina e Venezuela, a inflação não só está longe de ser benigna, como é um grande desafio político e uma fonte de risco para a economia. Na Argentina – que recentemente se juntou ao grupo de bancos centrais com uma estrutura formal de metas de inflação – o progresso de contenção da inflação tem sido lento e decepcionante. Na Venezuela, os economistas dizem que as autoridades já perderam o controle sobre a dinâmica monetária há muito tempo. Apesar da grave depressão econômica, a economia vive sob forte pressão da hiperinflação. Têm a maior taxa do planeta.

Com relação aos previsões para a taxa fechada do ano, a inflação deve normalizar para cima, onde tem sido atipicamente baixa e abaixo da meta (Brasil, Chile e Peru) e ficar moderada onde tem sido alta e acima da meta: na Colômbia, a convergência da inflação para a meta já ocorreu este ano e, no México, após um resultado de inflação melhor que o esperado no primeiro trimestre, o banco projeta que cairá um pouco mais ainda.


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