Humberto Martins diz que Eurico é retrógrado e preconceituoso em ‘A força do querer’

tvg_20170329-a-forca-do-querer-005.jpg RIO — Humberto Martins dificilmente vai usar o tom suave de sua voz em “A força do querer”. Já deu para perceber que Eurico só sabe falar em tom exasperado, mesmo nos momentos mais tranquilos. O que exige do ator estar sempre num grau acima e acelerado.

— Ele é um cara que fala alto em qualquer circunstância. O que causa um constrangimento para as pessoas. Tem que ter um fôlego maior, um ritmo, estou articulando bem as palavras para dar esse peso — argumenta Humberto.

A forma de falar de Eurico mostra bem a sua personalidade: homem rígido, conservador e preconceituoso.

— Tais características o tornam retrógrado, um cara sem uma referência moderna. Parece um homem de 1940. Eurico é capaz de proferir tantos disparates que acaba caindo no engraçado. É tão absurdo e degradante a forma como ele coloca as questões, as pessoas, que acaba sendo muito chocante, caindo no ridículo — opina o ator, ao reconhecer que tal firmeza fez do empresário um homem de negócios bem-sucedido, com quem ele apenas conseguiria manter uma relação profissional:

— Eu até faria negócios com ele, por ser um cara sério. Mas não seria amigo de Eurico, só se fosse para dar risada dos impropérios que ele diz.

O ator, aliás, se define como o exato oposto de seu personagem:

— Vejo a vida num outro plano. As pessoas poderiam estar mais unidas, aceitando todas as diferenças e opiniões. Eurico é propenso a doenças, infarto, tudo por falta de sabedoria e jogo de cintura.

Só há um detalhe que desmonta o cara: a mulher, Silvana (Lilia Cabral).

— É aí que o vemos desarmado. Ele ama essa mulher, mas sofre com seus excessos no jogo. Dá para ver a humanidade dele através do vício dela, o quanto ele se compadece com esse problema — diz Humberto, que já viu situações parecidas com essa na realidade:

— Sei de algumas histórias, do que ocorre na vida de uma pessoa dessa. O vício, seja ele qual for, corrói e desestrutura uma família.

Fonte: O Globo

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