Honduras condena 7 por assassinato de líder indígena, mas não satisfaz ambientalistas


TEGUCIGALPA — Um tribunal de Honduras condenou nesta quinta-feira sete pessoas pelo assassinato em 2016 da líder indígena Berta Cáceres, que liderava a oposição contra a construção de uma usina hidrelétrica em terras ancestrais pertencentes à sua etnia. Organizações ambientalistas e de direitos humanos locais e internacionais afirmaram que a decisão do juiz permite a impunidade dos empresários que promoveram a construção, a quem eles apontam como os mentores do crime.Links Berta CáceresAlém de três assassinos de aluguel, estão entre os condenados dois funcionários da Desarrollos Energéticos SA (DESA), empresa responsável pela construção da hidrelétrica: o gerente de comunicações, Sergio Rodríguez, e o ex-chefe de segurança da usina Douglas Bustillo. O ex-militar Henry Hernández e o major do Exército Mariano Díaz também participaram do crime.Os sete podem pegar até 30 anos de prisão pelo ataque. Quatro deles podem receber uma pena adicional de até 20 anos depois de serem condenados também pela tentativa de assassinato do ativista Gustavo Castro, ferido no ataque. O tribunal marcou a audiência na qual será estipulada o tamanho da pena para 10 de janeiro de 2019.Após um julgamento de cinco semanas, o tribunal também considerou que está provado que os executivos da empresa DESA planejaram o assassinato de Cáceres com o objetivo de prejudicar sua luta. Roberto David Castillo, executivo que serviu como presidente da DESA, é acusado pelo Ministério Público de ser o autor intelectual do crime e está sendo julgado paralelamente. A empresa rejeita as acusações de responsabilidade no crime contra a ambientalista, assim como as alegações contra Castillo.— A justiça não é total porque os empresários da DESA não foram investigados e menos ainda processados, embora sejam os responsáveis intelectuais pelo crime contra minha mãe. Eles ficam impunes — disse Olivia Zúñiga, uma das filhas de Berta Cáceres.Ainda segundo a empresa, a família Cáceres e o Conselho de Populares e Organizações Indígenas de Honduras (COPINH), organização fundada pela ativista, tentaram manipular o julgamento e deixaram de fora evidências sobre uma suposta relação conturbada de Cáceres que teria sido o motivo de sua morte.Cáceres, de 43 anos, vencedora do Goldman Prize, o maior prêmio na área ambiental, foi morta a tiros em sua casa na noite de 2 de março de 2016. A líder da etnia Lenca liderou a luta contra a construção da hidrelétrica de Agua Zarca, que levaria ao deslocamento da comunidade indígena da região.Honduras é palco de confrontos frequentes entre populações indígenas e camponesas com empreendimentos minerários ou hidrelétricos, setores nos quais o governo conservador de Juan Orlando Hernández incentiva investimentos.
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