Hip-hop, vozes femininas e trilhas sonoras povoam o Grammy 2019


RIO — Astros da música negra desta década, Drake e Kendrick Lamar voltaram a fazer valer sua soberania na indústria pop ao liderarem as indicações ao Grammy 2019. Na lista divulgada nesta quinta-feira, dominada por hip-hop e r&b, eles concorrem a oito e sete prêmios, respectivamente, incluindo as principais categorias (música, gravação e álbum do ano). Até aí, nenhuma novidade. Mas é possível observar algumas tendências interessantes na longa lista com 84 categorias.Uma delas envolve o próprio Lamar. Aos 31 anos e vencedor de 12 Grammys, o rapper de Compton (que virá ao Brasil em abril para o Lollapalooza) não lançou álbum próprio em 2018 — diferentemente de Drake, que apareceu com o recordista do streaming “Scorpion” —, mas concorre por faixas que criou para a trilha sonora do blockbuster “Pantera Negra”, da Marvel. Lamar produziu e foi curador do álbum, além de cantar em grande parte das faixas, incluindo o hit “All the stars”, dobradinha com a revelação do r&b SZA. Links GrammyAssim como aconteceu no Globo de Ouro, “Pantera Negra” também vai ter que concorrer com “Nasce uma estrela” no Grammy. Destaque na trilha, a canção “Shallow”, com Lady Gaga e Bradley Cooper, aparece em quatro categorias, incluindo música e gravação do ano, e melhor performance de duo/grupo pop — Gaga ainda foi lembrada na disputa da melhor performance pop solo, com “Joanne”.A cantora, compositora e (agora mais do que nunca) atriz é uma das forças de uma lista recheadas de vozes femininas. Entre os oito indicados à principal categoria, a de melhor álbum, cinco são mulheres: Cardi B (por “Invasion of privacy”), Janelle Monáe (“Dirty computer”), Brandi Carlile (“By the way, I forgive you”), Kacey Musgraves (“Golden hour”) e a novata H.E.R. (“H.E.R.”). O mesmo acontece entre as revelações, com seis vozes femininas: H.E.R., Dua Lipa, Jorja Smith, Bebe Rexha, Margo Price e o duo Chloe x Halle.A ideia da Academia de Gravação de aumentar o número de indicados em algumas categorias (de cinco para oito) buscava incentivar exatamente uma lista mais pautada pela diversidade — para isso, também expandiu seu número de votantes. Tudo para aplacar as críticas recebidas após o (notoriamente) baixo número de mulheres indicadas, premiadas e escaladas para se apresentar em sua festa mais recente, em janeiro passado.Antes queridinha da Academia, que já a premiou com dez Grammys, Taylor Swift agora lidera o time de astros esnobados — que, muitas vezes, chama mais atenção que os próprios indicados. A ex-estrela country convertida em popstar viu seu álbum mais recente, “Reputation”, ser indicado apenas em uma categoria “menor”, a de melhor álbum pop vocal. Ariana Grande é outra que não deve ter ficado muito satisfeita na manhã de ontem. Apesar de figurar bem posicionado nas principais listas de melhores discos do ano já divulgadas, seu “Sweetener” também ficou de fora das maiores disputas. Ariana concorre com Taylor no melhor álbum pop vocal e ainda aparece como melhor performance pop solo, por “god is a woman”.Fechando a lista de grandes escanteados estão Kanye West, que disputa apenas como produtor do ano, apesar de ter lançado dois discos em 2018 (“ye” e “Kids see ghosts”, seu projeto com Kid Cudi), e o rock, gênero que mais uma vez terá que se contentar com suas categorias específicas.Nenhum artista brasileiro concorre diretamente ao Grammy 2019, mas o projeto “Heart of Brazil”, em que o clarinetista nova-iorquino Eddie Daniels homenageia Egberto Gismonti, disputa como álbum de jazz latino.A festa do Grammy está marcada para o dia 10 de fevereiro, em Los Angeles.
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