Governo Temer assina declaração de apoio ao Acordo de Paris


BUENOS AIRES – O Brasil, ao lado de seus parceiros do Brics (Índia, Rússia, África do Sul e China), assinou hoje declaração conjunta na qual se compromete “à plena implementação do Acordo de Paris, adotado sob os auspícios da Convenção-Quadro das Nações Unidas”. A assinatura ocorre um dia após o presidente da França, Emmanuel Macron, ter condicionado um futuro acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia (UE) à posição do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) em relação ao Acordo de Paris. “Invocamos todos os países a atingirem um resultado equilibrado sob o Programa de Trabalho de Acordo de Paris durante a COP-24 que permita a operacionalização e a implementação do Acordo de Paris. Ressaltamos a importância e a urgência de conduzir um primeiro processo bem sucedido e ambicioso de reabastecimento do Fundo Verde do Clima”, diz o comunicado comjunto.A declaração apoiada pelo governo de Michel Temer põe mais pressão sobre Bolsonato, que tem manifestado posições contraditórias sobre a adesão brasileira ao acordo. No começo de setembro, durante a campanha eleitoral, o então candidato ameaçou retirar o país do Acordo de Paris (assinado por 195 nações com o objetivo de reduzir o aquecimento global) pois, em seu entendimento, o Brasil teria de abrir mão de 136 milhões de hectares na Amazônia e isso afetaria a soberania nacional.Essa área é conhecida como “Triplo A”, uma proposta de corredor ecológico internacional que ligaria os Andes ao Atlântico. Bolsonaro também pediu a retirada da candidatura do Brasil para sediar a COP-25, a conferência anual da ONU para negociar a implementação do Acordo de Paris, que vai ocorrer no ano que vem. A remoção da candidatura foi comunicada em nota pelo Itamaraty, decisão lamentada por órgãos ambientais.Na última quarta-feira, Bolsonaro reafirmou sua posição de sair do Acordo de Paris:— Está em jogo o “Triplo A” nesse acordo. O que é o Triplo A? É uma grande faixa que pega dos Andes, Amazônia e Atlântico, 136 milhões de hectares, ali, então, ao longo da calha dos rios Solimões e Amazonas, e que poderá fazer com que percamos a nossa soberania nessa área — disse a jornalistas.Mas as declarações incomodaram Macron, que aproveitou o encontro do G-20 para alfinetar o presidente eleito. Em resposta, Bolsonaro afirmou ao Jornal Nacional na noite de quinta-feira que manterá o Brasil no Acordo de Paris, desde que “isso não signifique perder a soberania sobre a maior parte da Amazônia”. O presidente eleito ainda disse entender a posição de Macron, mas afirmou que “não haverá nenhum alinhamento automático que comprometa a soberania e as relações comerciais brasileiras”.Em entrevista ao GLOBO, o secretário de Governo, Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Argentina, o rabino Sergio Bergman, disse que a Casa Rosada está “na expectativa” de conhecer a opinião do presidente eleito do Brasil sobre o Acordo de Paris.— Não podemos nos basear em declarações jornalísticas. Quando o novo governo assumir conversaremos — disse Bergman.Fontes do governo argentino disseram que estão preocupados pelo futuro do Ministério do Meio Ambiente brasileiro.— Vamos esperar, mas estamos preocupados — frisaram as fontes.
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