Governo Maduro exibe 'confissão' de deputado preso

CARACAS — Três dias depois de ser detido pelo Serviço Bolivariano de Inteligência (Sebin), em violação de sua imunidade parlamentar, e ainda incomunicável, o deputado opositor Juan Requesens gravou uma “confissão” em que admite ter participado da trama do suposto atentado com drones contra o presidente Nicolás Maduro, no último sábado.No vídeo, apresentado nesta sexta-feira pelo ministro da Comunicação, Jorge Rodríguez, Requesens, de 29 anos, diz ter tido contato com o ex-sargento da Guarda Nacional Juan Carlos Monasterios Vanegas, acusado pelo governo de ser o executor do ataque a Maduro. — Há várias semanas fui contatado por Julio Borges [também deputado, e igualmente acusado pelo governo de participação no suposto atentado], que me pediu o favor de passar uma pessoa da Venezuela para a Colômbia. Trata-se de Juan Monasterios, entrei em contato com ele por meio de mensagens de texto — diz Requesens, ex-líder do movimento estudantil na Universidade Central de Caracas.LEIA MAIS: Saiba quem é quem na versão de Maduro sobre suposto atentadoVenezuela: versão do governo sobre atentado tem contradiçõesAnálise: O golpe final contra a Assembleia Nacional da VenezuelaA gravação continua: — Eu estava em San Cristóbal [no estado de Táchira]. Escrevi a Mauricio Jiménez, supervisor de imigração. Fiz o pedido e ele imediatamente entrou em contato com Juan Monasterio para passar de San Antonio [também no estado de Táchira] para Cúcuta [no departamento de Norte de Santander, na Colômbia]. Não tive contato físico com Juan Monasterio, somente por mensagens.Na coletiva em que apresentou a gravação, o ministro Rodríguez afirmou que Mauricio Jiménez, citado por Requesens, trabalha no serviço de fronteiras colombiano. Rodríguez também anunciou que pediu à Interpol a prisão de Julio Borges, que está exilado na Colômbia. Os dois, segundo a acusação feita pelo governo, teriam facilitado a ida de Monasterios para a Colômbia para treinar os participantes do ataque com drones. O treinamento teria ocorrido na localidade colombiana de Chinácota.— Juan Requesens confessa sua cumplicidade e denuncia que o fez sob ordens de Julio Borges. Quem vai dizer agora que Requesens está mentindo? Convido Borges a desmentir Requesens — disse Rodríguez.Na versão do governo, os drones estavam carregados com explosivos e deveriam ser detonados na tribuna onde Maduro discursava no último sábado, durante um desfile comemorativo dos 81 anos da Guarda Nacional. A trajetória dos drones, no entanto, teria sido afetada por inibidores de sinais usados pela segurança de Maduro — um deles chocou-se com a fachada de um edifício residencial a duas quadras do desfile e o outro teria caído próximo à tribuna.A família de Requesens afirma não ter tido contato com ele desde a prisão e desconhecer o lugar em que está preso.No início da manhã desta sexta, o partido de Requesens e Borges, Primeiro Justiça, denunciou que agentes do Sebin invadiram na noite de quinta-feira as casas dos dois deputados. “Sem mandado de busca, sem a presença de advogados, funcionários do Sebin entraram à força”, afirmou o partido no Twitter, descrevendo a ação como uma tentativa de “plantar provas” contra os dois.
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